'Covardia que fizeram com dois trabalhadores', desabafa amigo de pedreiros mortos em São Gonçalo em ação da PM; agentes foram afastados

 

Fonte: Bandeira



Os dois pedreiros mortos a tiros durante uma operação, nesta quarta-feira, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, transportavam em uma motocicleta um tripé de suporte nível, usado na construção civil, e uma régua de metal, própria para alinhar paredes. Segundo testeumunhas, parte do primeiro objeto, que é dobrável, estava com a ponta para fora de uma mochila e pode ter sido confundido por policiais militares com um fuzil. Os agentes foram afastados das ruas.

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— Foi uma uma covardia que fizeram com dois trabalhadores. Nenhum deles era bandido — disse um amigo, que pediu para não ser identificado.

Os equipamentos eram transportados entre Marcelo da Cruz Silva, que pilotava o veículo, e o carona Edivan Felipe de Assis. Este último segurava a régua em uma das mãos. Os dois pedreiros cumprimentaram a testemunha ao passar por ela. Cerca de 30 segundos depois, ela escutou a rajada de tiros que tirou a vida dos dois trabalhadores.

— Eu estava saindo para trabalhar e vi os dois passando por mim numa moto. Eles me cumprimentaram e deram bom dia. Estavam com uma ferramenta que pode ter sido confundida com uma arma. Eles seguiram adiante e uns 30 segundos depois escutei a rajada de tiros. Ainda consegui olhar a moto caindo junto com os dois — disse a testemunha.

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Parentes e amigos dos dois pedreiros estiveram na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí(DHNSGI), encarregada de investigar o crime. Eles disseram que Marcelo e Edvan eram amigos e vizinhos. O primeiro é descrito como uma pessoa alegre e brincalhona. O segundo tinha um bar e era pai de uma menina de 14 anos e avô de um menino de três meses.

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Reprodução de TV

Os dois costumavam trabalhar juntos. Eles estavam a caminho de uma obra no bairro Parada 40 quando, ao saírem da comunidade Jardim Catarina, foram alvo de disparos feitos por PMs.

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Policiais da DHNSGI estiveram no local do crime, na Avenida Albino Imparato. Eles recolheram o tripé de suporte de nível e a régua, transportados pelas vítimas. Esta última teria sido encontrada em um vilão, segundo uma testemunha.

O local passou por uma perícia. Testemunhas também foram ouvidas pelos agentes. A Polícia Civil tenta encontrar imagens de câmeras de segurança que ajudem a apurar como tudo ocorreu.

Em nota, a PM, por meio do 7º BPM (São Gonçalo), afirma que "um procedimento apuratório segue em curso para averiguar todas as circunstâncias". A corporação reconhece que "policiais militares atingiram dois homens em uma motocicleta, durante ocupação na localidade de Ipuca", mas"lamenta a morte do Marcelo da Cruz Silva e do Edivan Felipe de Assis e ressalta que preza pela transparência de suas ações colaborando integralmente com as investigações do caso".

Já a Polícia Civil, que solicitou as imagens das câmeras corporais dos policiais militares envolvidos na ação, informa que as armas usadas pelos agentes já foram apreendidas e vão passar por confronto balístico. Os agentes testemunhas serão ouvidos na DHNSG. Os corpos de Edvan e Marcelo foram encaminhados para o Instituto Médico-Legal, onde serão periciados.

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