Faltando quase três meses para a posse dos deputados estaduais eleitos para a nova legislatura da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a disputa pelo comando da Casa e a montagem do futuro governo estadual começam a redesenhar as articulações políticas do Partido Liberal (PL). Até então tratado como o nome de consenso para assumir definitivamente a presidência do Legislativo, o atual vice-presidente da Mesa Diretora, Guilherme Delaroli (PL), passou a ser cotado, nos bastidores, para comandar uma superpasta de infraestrutura na gestão de Douglas Ruas, governador eleito.
Instituição religiosa: Casarão no Centro que poderá virar bistrô guardou por anos documentos históricos da Ordem Terceira da Penitência Fernanda Louback: Douglas Ruas anuncia vice-governadora eleita como primeira integrante de seu secretariado A possibilidade ganhou força após conversas entre Ruas e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas quais os dois passaram a definir os contornos da próxima administração estadual e da transição de governo. Uma das propostas em discussão é promover um enxugamento da estrutura administrativa, reunindo a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras Públicas (Seiop), a Secretaria das Cidades e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), autarquia estadual, sob um mesmo comando. É nesse cenário que o nome de Delaroli aparece como opção para chefiar a estrutura.
Até então, segundo interlocutores, uma das opções sugeridas pelo governador era o irmão de Delaroli, Marcelo Delaroli, prefeito de Itaboraí, que também deve ter espaço garantido no novo governo. — Sou soldado do grupo Altineu Cortês (presidente do PL no Rio) e Douglas Ruas. Estarei aonde eles me pedirem para estar. Farei o que é melhor para o estado e para o meu grupo — afirmou. A eventual ida de Delaroli para o governo abriria espaço para uma nova disputa pela presidência da Alerj. Um dos nomes que ganham força nesse cenário é o do deputado Anderson Moraes (PL), que atua na articulação política do partido e mantém interlocução com a ala bolsonarista. Mais identificado com o campo ideológico do grupo, ele participa de mobilizações eleitorais e da construção da base de sustentação da legenda no Legislativo estadual. Doces seriam distribuídos: Polícia Civil faz perícia em bolos após suspeita de contaminação por substância desconhecida Moraes não descarta assumir o comando da Casa, mas afirma que a decisão cabe às lideranças do partido. Ao ser questionado sobre a possibilidade, destacou a experiência acumulada ao longo de oito anos de mandato e defendeu que o próximo presidente respeite as prerrogativas dos parlamentares. — Estou pronto para qualquer proposta. Não tenho vaidade. Irei para onde Douglas me mandar. Estou há oito anos no Legislativo. Precisamos ter na Alerj um presidente que respeite o deputado. Eu já fui oposição no governo na época do Witzel por discordar de algumas medidas adotadas que eu não achava certo. Acredito que tem de haver um respeito pelo mandato dos deputados. É nisso que eu acredito — afirmou. ‘Meu pai foi meu melhor amigo, meu maior amor’: Filha de policial do Bope morto na Gardênia Azul faz homenagem emocionante Permanência do PL na presidência A movimentação ocorre em meio à tentativa do PL de preservar o comando da Assembleia na próxima legislatura. Com a maior bancada eleita, serão 21 deputados na próxima legislatura, a legenda trabalha para manter a presidência e garantir a continuidade do grupo político que conduziu o Parlamento nos últimos anos. Até agora, Delaroli era apontado como a escolha preferencial de Ruas para assumir definitivamente a cadeira, em um acordo político articulado antes das eleições entre o governador eleito e Altineu Côrtes, presidente estadual do partido. Vice-presidente da Mesa Diretora, Delaroli teria credenciais políticas e administrativas na avaliação do PL. Isso porque sua carreira tem ligação direta com o setor de infraestrutura: antes de ingressar na política partidária, trabalhou como motorista de caminhão e operador de máquinas pesadas. Depois, atuou como coordenador-geral de projetos da Prefeitura de Itaboraí, município administrado por seu irmão, Marcelo Delaroli, onde participou de iniciativas de obras de infraestrutura. Veja dos detalhes: Ruas começa transição de governo estudando mudanças na segurança pública e unificação de secretarias Na Alerj, também assumiu a presidência da Comissão de Obras Públicas, função que o colocou em contato direto com a análise e a fiscalização de contratos, planejamentos e aplicação de recursos destinados à infraestrutura fluminense. Ligações políticas A relação de Guilherme Delaroli com Ruas se insere em uma aliança mais ampla, que envolve também Marcelo Delaroli e Altineu Côrtes. A família Delaroli integra o núcleo político próximo ao presidente estadual do PL, com atuação conjunta sobretudo em Itaboraí e em municípios da Região Metropolitana. Nas disputas eleitorais, é comum a dobradinha entre Guilherme, candidato a deputado estadual, e Altineu, que concorre à Câmara dos Deputados. 'Não permitam que isso aconteça': Em primeiro discurso como governador eleito na Alerj, Douglas Ruas critica ataques à Casa Marcelo, por sua vez, também aparece nas articulações para o novo governo. O prefeito de Itaboraí é citado entre os nomes avaliados por Ruas para a estrutura de infraestrutura em discussão. A eventual escolha de um dos irmãos para o Executivo, portanto, teria impacto direto na composição política do grupo e na definição do espaço que a família ocupará na próxima administração. Situação inédita no Rio: Presidente da Alerj até janeiro, Douglas Ruas comandará votação do orçamento de seu primeiro ano de governo Outro nome que ganhou peso nas negociações é o de Bruno Bonetti, presidente municipal do PL na capital. Responsável por coordenar a campanha de Flávio no Rio e participante da articulação eleitoral que levou à vitória de Ruas, ele é cotado para assumir a Secretaria estadual de Governo (Segov), uma das posições mais disputadas na montagem do novo Executivo. Outro nome que disputa o cargo é do deputado Jair Bittencout (PL), que já foi secretário de três pastas no governo Cláudio Castro, incluindo a própria secretaria de governo. Bonetti também é apontado como possível integrante da equipe de Flávio Bolsonaro em Brasília, caso o senador vença o segundo turno da disputa presidencial. Sua atuação está concentrada na articulação partidária e na negociação com as executivas da legenda, enquanto Moraes representa uma força de sustentação política no plenário da Assembleia. Cristo Redentor: Igreja planeja campanha entre fiéis para construir Via Sacra, como fez para erguer monumento Além dos cargos no Executivo e da presidência da Assembleia, as negociações envolvem a distribuição de vagas nas comissões permanentes e a formação da próxima Mesa Diretora. Com a posse dos novos deputados prevista para fevereiro, o PL tenta antecipar a montagem dos espaços de poder e evitar que a transição de governo abra brechas para disputas internas. Anúncio de Douglas Ruas: Maria Gabriela Bessa é a coordenadora da equipe de transição para o novo governo
O Globo