Cota da China antecipou abates e impactou PIB do agro no primeiro semestre, diz FGV - QTU Questões do Universo

Cota da China antecipou abates e impactou PIB do agro no primeiro semestre, diz FGV

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A cota estabelecida pela China para a importação de carne bovina em 2026 provocou uma "corrida" dos frigoríficos para atender à demanda no primeiro semestre, antecipando abates que seriam realizados na segunda metade do ano.
O resultado pode ser observado no desempenho positivo do PIB agropecuário do segundo trimestre, mas será um ponto de atenção para a pecuária brasileira no segundo semestre, avalia Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro.

"Todo mundo queria colocar o maior volume possível de carne bovina no mercado chinês antes de atingir a cota, e aí houve um movimento de antecipar uma parte dos abates que estariam no segundo semestre", explica o especialista.

No segundo semestre, a demanda chinesa tende a estar menos aquecida.
As restrições relacionadas a produtos de origem animal para a União Europeia representam um desafio adicional, porém em um mercado que não é o mais relevante para o Brasil em termos de volume.

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Uma boa notícia para o segmento foi a decisão dos Estados Unidos de autorizar temporariamente a importação de um volume de 300 mil toneladas de carne bovina.
A pecuária brasileira deve abocanhar uma boa parcela desse mercado.
"É justamente carne de dianteiro, o que o Brasil mais coloca no mercado internacional", observa Serigati.

Embora com peso menor que a carne bovina, a produção de suínos também contribuiu para o desempenho do PIB.
O segmento, no entanto, enfrenta excesso de oferta no mercado brasileiro, o que provoca a compressão de margens dos produtores.

"Por mais que as exportações de carne suína tenham crescido de maneira bastante acelerada, a outra parte, que é o mercado interno, não tem conseguido crescer num ritmo suficiente para absorver a oferta restante."

Na avaliação de Serigati, o forte desempenho da agropecuária no primeiro semestre deve garantir um resultado positivo para o setor em 2026, mesmo diante de um cenário mais desafiador na segunda metade do ano.

Para ele, a maior parte da contribuição do campo para o PIB do ano já aconteceu, enquanto fatores como as condições climáticas menos favoráveis para a próxima safra aumentam as incertezas para os próximos meses.

"Por mais que tenhamos um segundo semestre mais fraco, lá no final do ano, quando olharmos como foram as atividades agropecuárias em 2026, [o desempenho] vai ser condicionado fortemente pelo PIB do primeiro semestre", analisa.

Serigati observa que o crescimento de 2,8% da agropecuária no segundo trimestre veio acima da mediana das projeções do boletim Focus.
O resultado surpreendeu, em parte, porque a atividade possui forte sazonalidade e elevada volatilidade, o que dificulta as previsões trimestrais.

Um eventual atraso no plantio, por exemplo, pode fazer com que o impacta de determinada safra seja percebido no trimestre seguinte.

A safra recorde de soja ajudou a explicar o desempenho positivo do agro, segundo o pesquisador.
Embora a maior parte da produção já tivesse sido incorporada ao PIB do primeiro trimestre, uma parcela relevante do volume ficou para o segundo trimestre.
"Como é uma safra grande, comparada com o trimestre passado, teve esse crescimento", explica.