Cosan não fará aporte de capital na Raízen e pode vender participação na empresa, diz CEO

 

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A Cosan não fará novos aportes de capital na Raízen e pode se desfazer de sua participação na distribuidora de combustíveis, informou nesta sexta-feira o CEO da Cosan, Marcelo Martins.

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 O executivo falou sobre o tema durante teleconferência de resultados da companhia. A Cosan encerrou o primeiro trimestre com prejuízo de R$ 1,6 bilhão.

Fruto de uma joint venture entre Cosan e Shell, a Raízen vem negociando com credores para checar a um acordo e evitar a necessidade de uma recuperação judicial. Com R$ 65 bilhões em dívidas, a distribuidora entrou em recuperação extrajudicial em março. 

Segundo Martins, as conversas "têm evoluído", e a Cosan acompanha de perto, mas a companhia descarta aporte de capital. 

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— Significa basicamente que, isso vai resultar numa diluição substancial da participação da Cosan. A gente não sabe ainda o tamanho exato da diluição porque tem alguns pontos ainda estão sendo discutidos, como preço de conversão — explicou. — Mas o fato é que a Raízen vai deixar de ser um investimento relevante para a Cosan. 

O CEO detalhou que a companhia de Rubens Ometto "muito provavelmente" terá manterá uma participação minoritária na Raízen, mas ainda avalia se as ações serão ordinárias (com direito a voto) ou preferenciais (com prioridade no recebimento de dividendos). 

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Ainda assim, Martins ressaltou que "não é intenção da Cosan se manter num acordo de acionistas com a Shell":

— O que se pode esperar é que a gente tenha uma participação que pode ser vendida. Não sabemos qual é esse horizonte, nem temos ainda uma decisão concreta de que a gente vai vender. 

Antes líder na produção de biocombustíveis no Brasil, a Raízen foi afetada por juros elevados, investimentos pesados que ainda não geraram retorno e desafios operacionais em suas divisões de açúcar e etanol, levando a uma série de resultados abaixo do esperado. Esses problemas corroeram seu fluxo de caixa e fizeram sua dívida disparar.