Cosan diz que aporte na Raízen não resolve crise financeira
O CEO da Cosan, Marcelo Martins, disse nesta terça-feira que a contribuição de capital anunciada na semana passada não basta para resolver o problema financeiro da Raízen. A empresa chegou a discutir uma eventual separação de negócios ou a venda de participação em alguma operação como forma de equacionar a situação financeira da companhia, mas a alternativa acabou sendo descartada.
Na semana passada, foi anunciado um processo de capitalização da Raízen, com aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell. A Cosan não aportaria o mesmo valor, o que levaria a uma diluição da participação da empresa na Raízen. A expectativa de analistas já era de que a empresa poderia receber novos aportes.
— Nosso entendimento é que não é suficiente essa contribuição de capital para a gente ter uma estrutura de capital sem um nível de conversão considerável (de dívidas em ações) que está sendo debatido — afirmou o executivo em call de resultados com investidores durante a manhã.
Ele continuou:
— Nós discutimos a eventualidade de se fazer uma separação dos negócios e eventualmente uma venda de uma participação em um deles. Isso tudo foi avaliado e as conversas aconteceram de uma forma bastante intensa até que se chegou a um ponto de que a estrutura que deveria ser levada ao mercado não poderia contemplar a participação da Cosan em virtude dos termos que foram definidos para essa discussão no mercado.
Segundo Martins, diferentes alternativas foram apresentadas e analisadas pela Shell ao longo das negociações, mas não houve consenso sobre qual deveria ser a participação da Cosan na nova estrutura de capital da Raízen. A crise financeira da companhia, uma joint venture entre Cosan e Shell, já se arrasta há mais de um ano. O CEO disse também que, nos próximos dias, deve haver novos desdobramentos do plano de se encontrar uma saída adequada para a Raízen.
— Temos acompanhado essa evolução e acreditamos que nos próximos dias a gente deva ter novos desdobramentos desse plano de encontrar uma saída adequada para a companhia.
O executivo disse que o objetivo da holding é reduzir a alavancagem e zerar sua dívida, já que, no atual momento da empresa, não faz mais sentido manter o nível elevado de endividamento:
— No passado a gente pode justificar (a alavancagem) como objetivo de crescimento do portfólio. Essas questões hoje estão todas fora da mesa. Primeiro, porque o portfólio já está formado. Segundo, porque a gente está numa fase agora de saneamento de alavancagem, na verdade, até a estrutura precisa se tornar mais eficiente.
Martins acrescentou que a companhia deve iniciar em breve a implementação de uma estratégia de desalavancagem. Ele ressaltou, no entanto, que não há neste momento uma decisão de vender qualquer ativo com o objetivo de reduzir o endividamento.
A Cosan registrou prejuízo líquido de R$ 5,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, redução de 38% em relação à perda de R$ 9,3 bilhões registrada no mesmo período de 2024. No acumulado do ano passado, o prejuízo chegou a R$ 9,7 bilhões, aumento de 3% frente aos R$ 9,42 bilhões apurados em 2024.
A receita líquida da holding atingiu R$ 9,6 bilhões no quarto trimestre, queda de 18% em relação aos R$ 11,7 bilhões registrados um ano antes. No acumulado de 2025, a receita líquida totalizou R$ 40,4 bilhões, recuo de 8% frente aos R$ 43,9 bilhões de 2024.
Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou negativo em R$ 3,83 bilhões no quarto trimestre, piora de 128% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, quando estava em R$ 1,67 bilhão. Em todo o ano de 2025, o indicador também permaneceu no vermelho, em R$ 3,69 bilhões.
