Cortejado por Paes e Ruas, Republicanos vive racha no Rio

 

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O Republicanos, partido ligado à Igreja Universal, vive uma disputa interna no Rio envolvendo duas pré-candidaturas a governador, lançadas em um intervalo de poucos dias, e acenos do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e do presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL), por uma aliança eleitoral. Na última sexta, o ex-prefeito de Miguel Pereira André Português se apresentou como o nome do partido ao governo e declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Amanhã, outro filiado ao Republicanos, o ex-governador Anthony Garotinho, também se lançará a governador, fazendo críticas tanto ao PL quanto ao governo Lula.

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A indefinição do Republicanos se estende aos dois pré-candidatos do partido para duas vagas ao Senado: o ex-prefeito de Belford Roxo Waguinho, que é aliado de Lula, e o deputado federal Marcelo Crivella, apoiador de Bolsonaro. Crivella participou do ato de lançamento de André Português na semana passada, enquanto Waguinho tem sinalizado preferência por uma candidatura de Garotinho.

Na semana passada, um dia antes do lançamento de André Português no Rio, o Republicanos divulgou nota afirmando que “todo filiado tem direito de apresentar sua pré-candidatura”, e que a definição final será tomada pelo partido “no momento oportuno”. A nota foi assinada por Luis Carlos Gomes, presidente estadual do Republicanos e bispo da Universal.

Pesquisa x ‘nada a tratar’

Segundo Garotinho, a cúpula do partido reunirá os dois postulantes para acertar os detalhes de uma pesquisa eleitoral, a ser realizada no fim de junho, para decidir quem será o candidato ao governo. Português, porém, sustenta que se filiou ao Republicanos com a garantia de concorrer ao Palácio Guanabara.

De olho em assegurar sua posição, Português já colheu declarações de apoio de lideranças do Republicanos em outros estados, como o senador Cleitinho Azevedo, pré-candidato ao governo de Minas, e Lorenzo Pazolini, ex-prefeito de Vitória que disputará o governo capixaba.

— Não tenho nada a tratar com Garotinho. O que conversei com o Luis Carlos e com o (presidente nacional do partido) Marcos Pereira foi que eu seria candidato ao governo em outubro, por isso me filiei — afirmou.

Garotinho, por sua vez, tem sugerido nas redes sociais que a candidatura de André Português teria o apoio velado de Paes, numa tentativa de barrar sua própria candidatura.

Dirigentes do Republicanos tentam convencer o ex-governador a concorrer à Câmara dos Deputados, o que ajudaria o partido a ampliar sua bancada federal e, consequentemente, seu fundo partidário. Garotinho, porém, nega essa possibilidade, e diz que decidiu tentar novamente o governo após verificar o próprio desempenho em pesquisas. Em abril, levantamento Genial/Quaest o colocou com 8% das intenções de voto, tecnicamente empatado em segundo lugar com Douglas Ruas, que tinha 9%. André Português não foi testado.

Recentemente, Garotinho conseguiu no Supremo Tribunal Federal (STF) anular uma condenação eleitoral, ficando elegível novamente.

— Já avisei ao partido que não vou concorrer a deputado federal. Vou me apresentar na eleição ao governo como alguém independente. Todos sabem que eu não voto no PT, mas também não consigo assimilar o PL do Rio — disse Garotinho.

A indefinição do Republicanos abre brecha para uma aproximação com Paes ou com Ruas. Ambos têm cortejado lideranças da Igreja Universal e caciques do partido.

Na semana passada, o presidente da Alerj participou de um culto evangélico com Crivella, organizado pelo pastor Silas Malafaia. O ato contou ainda com o ex-governador Cláudio Castro (PL), outro pré-candidato ao Senado, em uma sinalização da chapa de preferência de Malafaia.

O PL fluminense, por sua vez, lançou outro pré-candidato ao Senado, Marcio Canella (União). Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, vem sendo alvo de críticas de Garotinho e também é notório rival de Waguinho, o outro postulante do Republicanos ao Senado.

Waguinho mantém boa relação com Paes e Lula, o que faz o PSD avaliar apoiá-lo para uma das duas vagas a senador, junto da deputada Benedita da Silva (PT), caso isso atraia o Republicanos à aliança. A aliados, Waguinho vem argumentando que uma candidatura de Garotinho seria pior para Douglas Ruas do que para Paes, devido aos ataques do ex-governador ao PL fluminense e a seus aliados.

As rusgas do Republicanos no Rio ocorrem em paralelo a oscilações do partido na seara nacional, desde que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi preterido por Bolsonaro na corrida presidencial. Por ora, a sigla evita aderir à candidatura de Flávio, mas também fica distante de uma aliança com Lula, à exceção de alguns estados do Nordeste.