Corrupção dos 'ricos e poderosos' deve ser quebrada porque causa guerras, diz papa Leão XIV
O papa Leão XIV clamou em uma visita ao Camarões que os países erradiquem a corrupção e resistam aos 'caprichos dos ricos e poderosos', algo que, segundo ele, causam as guerras.
Os comentários do pontífice surgem em meio às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao pontífice por defender a paz e pedir o fim da guerra no Irã. Trump acusou Leão, no início desta semana, de ser fraco em política externa e afirmou que o papa queria que o Irã tivesse armas nucleares.
'É hora de examinarmos nossa consciência e darmos um salto ousado em frente', disse Leão XIII, o primeiro papa nascido nos EUA, ao presidente de Camarões, Paul Biya, ao primeiro-ministro Joseph Dion Ngute e a outros líderes.
Biya comanda o país a mais de 40 anos.
'Para que a paz e a justiça prevaleçam, as correntes da corrupção — que desfiguram a autoridade e lhe retiram a credibilidade — devem ser quebradas', disse.
O pontífice acrescentou: 'Os corações devem ser libertados de uma sede idólatra de lucro'.
Apesar das críticas intensificadas de Trump e seus aliados em Washington, o papa disse à jornalistas na segunda-feira que continuaria a se manifestar contra a guerra no Irã, independentemente da pressão política que sofresse.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou novamente a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, dizendo que os dois 'não tem a mesma relação' mais. Os comentários surgem depois da premiê ter criticado o presidente pelos seus ataques ao papa Leão XIV e ter recusado se envolver na guerra dos EUA no Irã.
'Ela tem sido negativa. Qualquer pessoa que nos tenha recusado a ajudar nesta situação com o Irã não tem o mesmo tipo de relação conosco', comentou em entrevista à Fox News.
Imagem publicada por Trump como Jesus nas suas redes sociais.
Reprodução
Trump também criticou a OTAN – da qual a Itália é membro – de forma geral, pela sua falta de envolvimento na guerra no Irã.
'Por que estamos gastando centenas de bilhões de dólares por ano com a OTAN se eles não vão estar conosco, se não vão estar conosco em relação ao Irã, não vão estar conosco em um assunto muito mais importante do que o Irã?', questionou.
Nessa terça-feira (14), Trump criticou a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni por defender o Papa Leão XIV após os ataques feitos pelo republicano. Nessa segunda-feira (13), a premiê chamou as críticas do americano de 'inaceitáveis'.
O presidente americano respondeu que 'ela que é inaceitável, porque não se importa se o Irã tem uma arma nuclear e explodiria a Itália em dois minutos se tivesse a chance'.
Ele complementou declarando que ela não teria 'coragem' para lidar com a guerra no Irã.
'As pessoas gostam da Meloni? Não consigo imaginar. Estou chocado com ela. Pensei que ela fosse corajosa, mas me enganei', acrescentou ao jornal Corriere della Serra.
Apesar das tensões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , o Papa Leão XIV voltou a falar sobre os conflitos que afligem o mundo, particularmente o Golfo.
'O coração de Deus está dilacerado por guerras, violência, injustiça e mentiras. Mas o coração do nosso Pai não está com os ímpios, os arrogantes, os orgulhosos: o coração de Deus está com os humildes e os simples, e com eles Ele avança, dia após dia, o Seu Reino de amor e paz. Ele não se alia aos valentões', disse, elogiando o trabalho realizado no Lar das Irmãzinhas dos Pobres para Idosos em Annaba, na Argélia.
Papa Leão XIV e presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Tiziana FABI / AFP
