Corpos em decomposição e cinzas falsas para famílias: dono de funerária é condenado a 40 anos por abusar de cadáveres nos EUA

 

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O diretor e proprietário de uma funerária no Colorado, nos Estados Unidos, foi condenado a 40 anos de prisão na última sexta-feira (6), por abuso de quase 200 corpos ao longo de quatro anos. Segundo as investigações, Jon Hallford, de 46 anos, manteve os cadáveres armazenados de forma inadequada no estabelecimento, o que fez com que estivessem em decomposição, e entregava cinzas falsas às famílias enlutadas.

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Hallford foi preso em novembro de 2023, junto com a mulher, Carie Hallford, de 49 anos, sob suspeita de abuso de cadáver, roubo, lavagem de dinheiro e falsificação. Em dezembro do ano passado, o casal se declarou culpado separadamente em seus casos criminais estaduais, que estão sendo processados no Condado de El Paso. Carie se declarou culpada em agosto no tribunal federal e tem audiência marcada para sua sentença para abril, com estimativa de pena de 25 a 35 anos de prisão. As informações são do New York Times.

O caso começou a ser investigado no final de 2023, após relatos de um cheiro desagradável vindo da instalação da funerária em Penrose. No local onde funcionava a funerária Return to Nature Funeral Home, os detetives encontraram 189 corpos em decomposição e dois corpos enterrados de forma inadequada.

A funerária operava com a proposta de sepultamentos "verdes", tidos como uma alternativa ambientalmente sensível aos funerais que exigem fluidos de embalsamamento e caixões elaborados. Segundo os promotores, o casal entregava às famílias urnas cheias de poeira ou concreto seco, como acreditam os investigadores, quando eram solicitadas cremações, ou corpos errados para sepultamentos. O caso geral revolta entre as famílias que, em alguns casos, alegaram "violência psicológica" ao verem seus entes queridos tratados como "lixo".

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Os corpos foram identificados ao longo de meses com impressões digitais, DNA e outros métodos.

— Toda vez que abordo este caso, fico novamente impressionado com a enormidade do dano que foi infligido — disse Eric Bentley, juiz do tribunal distrital do Colorado, durante a sentença, destacou o New York Times. — Isso não é um dano comum.

Parentes dos mortos ainda relataram sofrerem com pesadelos recorrentes sobre carne em decomposição e larvas desde que o caso foi descoberto. Muitos chamaram Jon Hallford de "monstro" durante o julgamento. O pedido era para que fosse aplicada pena máxima de 50 anos, destacou o jornal inglês The Guardian.

Entre as dezenas de corpos, um dos recuperados era de um ex-sargento do exército de primeira classe, que não teve a identidade revelada, que se acreditava ter sido enterrado em um cemitério de veteranos, segundo relatou um agente do FBI. Na exumação do caixão no cemitério foi constatado que, na verdade, foram enterrados restos mortais de uma pessoa de gênero diferente. Posteriormente foi feito um funeral com honras militares completas no cemitério nacional de Pikes Peak, ressaltou a agência AP.

Ainda segundo as investigações, os cuidados com os corpos, como era esperado, como de cremação, não eram feitos para que a verba do pagamento recebido pela famílias fosse desviada. O casal também responde por acusações federais de fraude, em que ambos se declararam culpados. Jon Hallford foi condenado a 20 anos de prisão nesse caso, e a sentença de Carie Hallford está pendente, de acordo com a AP.

Dada as condições do prédio pelo armazenamento errado dos corpos, que estavam em decomposição, e os riscos que oferecem à saúde, foi solicitada a demolição.