Thierry Fischer concebeu pequenos "festivais" que giram em torno de temas de "Assim falou Zaratustra" para a temporada da Osesp Divulgação
O coro é o grande destaque na próxima temporada da Sinfônica do Estado de São Paulo. Do concerto de abertura, em 4 de março, ao de encerramento, em 18 de dezembro, obras corais estarão presentes em muitos dos programas que a principal orquestra do país apresentará em 2027.
A Osesp e seu diretor musical, Thierry Fischer, conceberam a temporada em “festivais”, agrupamentos de três programas da orquestra (e eventualmente um de música de câmara) que giram em torno de ideias de “Assim falou Zaratustra”, o influente livro do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900).
O poema sinfônico que Richard Strauss (1864-1949) compôs a partir do livro de Nietzsche, famoso pelo começo que Stanley Kubrick usou em “2001: Uma odisseia no espaço”, estará, obviamente, presente, em concerto no fim de outubro. A ideia do festival naquela ocasião será “O eterno retorno”.
A temporada começa com o tema “Nascido do caos”. Nos concertos de abertura, Thierry Fischer rege o Coro da Osesp, a Osesp e solistas em apresentações de “A Criação”, o grande oratório de Joseph Haydn (1732-1809) que narra a criação do mundo e o surgimento do ser humano.
Os concertos vão inovar com um aspecto teatral, já que contarão com direção cênica de Gringo Cardia. Cardia, figura que se destaca entre outras coisas pela cenografia e direção artística de shows de muitos dos cantores mais importantes do país, vai também fazer a direção cênica dos concertos de encerramento da temporada da Osesp, que trarão outro oratório muito popular, o “Messias”, de Georg Friedrich Händel (1685-1759).
Outro dos grandes monumentos da música coral que a Osesp e seu coro apresentarão é a “Paixão segundo São Mateus” de Johann Sebastian Bach (1685-1750), em meados de setembro, no festival sob o tema “Sim à vida”. Não haverá direção cênica, mas pode-se esperar algo diferente, visto que o regente é o argentino Leonardo García-Alarcón, um especialista em música barroca que há dois anos já dirigiu a Osesp em um concerto bem pouco convencional da “Missa em si menor” de Bach.
A Osesp terá ainda outro concerto inteiramente dedicado a uma obra coral em dezembro, no encerramento do ciclo das sinfonias de Gustav Mahler (1860-1911) que a orquestra vem executando há alguns anos. A Oitava, conhecida como “Sinfonia dos mil” pelo enorme contingente de participantes, terá regência de Fischer.
Ele também dirige o outro concerto do ciclo mahleriano, com a Sétima, em março. Outras obras corais não ocuparão todo o concerto, mas os ancorarão.
É o caso da “Sinfonia da Alvorada” de Tom Jobim (1927-1994) e Vinicius de Moraes (1913-1980) e da Suíte no 4 de “O descobrimento do Brasil”, de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), que Roberto Minczuk rege com a participação do Coral Paulistano em março. Do “Maracatu de Chico Rei”, de Francisco Mignone (1897-1986), que Fischer rege em maio.
Da “Ode triomphale” da pouco conhecida compositora francesa Augusta Holmès (1847-1903), que será dirigida pela jovem regente finlandesa Emilia Hoving em junho. Da popular cantata profana “Carmina Burana”, de Carl Orff (1895-1982), com o maestro usbeque Aziz Shokhakimov em julho.
E do oratório “In Terra pax”, do suíço Frank Martin (1890-1974), que terá regência do alemão Alexander Liebreich em agosto. O Coro da Osesp, que terá seus próprios concertos na Estação Motiva Cultural, ainda participará de diversas outras apresentações da orquestra.
Ao todo, a temporada contará com 24 regentes convidados e 49 solistas. Há diversos nomes que têm se destacado na cena musical internacional.
Entre os pianistas estão o canadense Jan Lisiecki, o russo Nikolai Lugansky, o francês Bertrand Chamayou e o brasileiro Cristian Budu. Entre os violinistas, a alemã Veronika Eberle, o canadense James Ehnes e o russo Ilya Gringolts.
Entre os violoncelistas, a americana Alisa Weilerstein e o francês Jean-Guihen Queyras. A grande efeméride do ano para a música clássica, os 200 anos da morte de Ludwig van Beethoven (1770-1827), terá a principal homenagem da Osesp em abril, quando o pianista russo-americano Kirill Gerstein fará o solo e regerá a integral dos concertos para piano do compositor em três concertos que também terão a estreia mundial de “Alma”, obra da brasileira Michelle Agnes encomendada pela Osesp.
O ciclo de Gerstein incluirá o inacabado Concerto no 0, obra da adolescência de Beethoven.
Globo