A polícia da Coreia do Sul abriu uma investigação sobre uma série de ataques cibernéticos contra o setor financeiro do país, após o presidente Lee Jae Myung afirmar nesta terça-feira que há indícios de uso de inteligência artificial nas invasões. Pelo menos sete instituições financeiras, incluindo alguns dos maiores bancos sul-coreanos, relataram vazamentos de dados de clientes na última semana. Veja também: ‘A IA não é como um aparelho que pode ser desligado', diz o físico Constantino Tsallis Do 'Limpar' ao 'Estender': Veja como funcionam os recursos do iPhone 18 Pro que usam IA para editar e comparar fotos. Entenda Até onde se sabe, não houve roubo de dinheiro, apenas vazamento de dados. O governo sul-coreano não detalhu que tipo de informação foi vazada,. Segundo a Comissão de Serviços Financeiros da Coreia do Sul, mais de 68 mil pessoas foram afetadas pelos ataques. A possibilidade de ferramentas de inteligência artificial terem sido usadas para identificar vulnerabilidades e invadir sistemas de bancos, empresas e órgãos públicos é acompanhada com atenção à medida que modelos mais avançados chegam ao mercado. — Há indícios de que inteligência artificial foi utilizada em alguns ataques de hackers, o que gerou considerável preocupação e ansiedade entre a população — afirmou Lee durante uma reunião do gabinete. O presidente também alertou que a tecnologia pode ampliar o alcance das invasões. — Chegamos a um ponto em que a IA pode facilitar (a prática de invasões) até mesmo para aqueles que não possuem habilidades especiais — disse. No domingo, o presidente da Comissão de Serviços Financeiros (FSC), Lee Eog-weon, convocou uma reunião de emergência com associações do setor financeiro, órgãos reguladores e executivos das instituições afetadas, alertando que o setor deve responder com o mais alto nível de vigilância. O órgão de supervisão financeira, o Serviço de Supervisão Financeira (FSS), e o Instituto de Segurança Financeira compartilharam com o setor financeiro dados sobre 28 endereços de IP únicos e algumas informações sobre países ligadas às recentes tentativas de ataques hackers, informou o FSS. Polícia investiga os ataques A investigação foi iniciada nesta terça-feira a pedido do presidente. As autoridades ainda não divulgaram quem estaria por trás das invasões nem quais técnicas foram utilizadas para acessar os dados. Um funcionário do governo sul-coreano declarou à AFP que era “muito provável” que a Artex AI, uma ferramenta de teste de segurança de código aberto que se acredita ser um sistema de inteligência artificial chinês, tivesse sido utilizada nos ataques. O uso da ferramenta, porém, não significa que os responsáveis pelas invasões sejam chineses, destacaram as autoridades. Lee afirmou que a evolução da inteligência artificial está tornando os métodos de invasão mais sofisticados e ampliando a dimensão dos danos provocados por ataques digitais. — Com os avanços na tecnologia de IA, os métodos de invasão estão se tornando cada vez mais sofisticados, enquanto a extensão dos danos está se espalhando para todos os setores em uma escala difícil de comparar com a do passado — alertou. O caso ocorre em meio à crescente atenção internacional sobre a capacidade de sistemas de IA de encontrar vulnerabilidades de software até então desconhecidas e explorar essas falhas contra instituições financeiras, empresas e infraestruturas governamentais. Até o momento, as autoridades sul-coreanas não divulgaram uma conclusão sobre a origem dos ataques nem confirmaram de forma definitiva o papel da inteligência artificial nas invasões.
Coreia do Sul suspeita de uso de IA em ataque contra sistema financeiro que avazou dados de 68 mil pessoas
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O Globo
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