Cordão da Bola Preta prepara 107º desfile, em agenda com mais de 20 shows: 'Mesmo carnaval, com molho diferente'

 

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Glória, 1918. Foi ali que nasceu o mais antigo bloco do Rio de Janeiro, que desfila há 107 anos: o Cordão da Bola Preta. A longevidade, porém, não é o único número impressionante da agremiação, que costuma reunir cerca de um milhão de pessoas a cada carnaval e disputa o título de maior bloco do mundo.

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Só neste ano, o Bola Preta já passou por Manaus, Belém e Recife, onde dividiu o palco com o Galo da Madrugada, outro gigante do carnaval de rua, que também arrasta multidões de foliões. O calendário de apresentações é intenso e, para dar conta da agenda, os músicos se dividem em três formações diferentes. Em apenas seis dias, entre quinta e terça-feira de carnaval, os músicos se desdobram em mais de 20 apresentações, entre shows em camarotes, bailes e desfiles.

1974: Cordão da Bola Preta durante o Carnaval, no Centro do Rio

Luis Alberto / Agência O Globo

— A cada ano somos mais reconhecidos, e o público cresce cada vez mais — comemora Raimundo Santos, de 78 anos, integrante da banda do Bola Preta há 40 deles.

De volta ao Rio, os músicos agora se preparam para o tradicional desfile do sábado de Carnaval (14), que sai da Rua Primeiro de Março e segue pela Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro da cidade. O cortejo já trocou de endereço algumas vezes: saiu da Cinelândia, seguiu para a Candelária e, depois, desfilou pela Avenida Rio Branco, sempre arrastando foliões pelo caminho.

— É o mesmo carnaval, com molho diferente. Este é um ano marcante para o Bola Preta. Vejo o bloco muito enraizado, não só na cidade, mas também no interior. Chega a ser uma idolatria, principalmente entre os mais velhos, que se emocionam, pedem para tirar fotos… É muito legal — diz o saxofonista Eraldo Moraes, de 54 anos.

Multidão, com 500 mil foliões, acompanha o cortejo do Cordão da Bola Preta

Fernando Maia / Riotur

A relação com a multidão é parte central da experiência do desfile. Para Altamiro Gonçalves, de 88 anos, o “maestro” e um dos integrantes mais antigos do grupo, a essência do carnaval permanece, mesmo com as mudanças ao longo do tempo.

— O carnaval antigo tinha mais calor porque era no chão. Mas hoje, na passeata, no meio daquele público todo, sentimos uma vibração muito forte dentro da nossa função, que é conduzir o povo. A expectativa é sempre melhorar.

E, no Bola Preta, a regra continua valendo, ontem e hoje, em verso e em coro: quem não chora não mama.

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