Copom confirma que processo de queda da Selic se iniciará na próxima reunião

 

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Em ata divulgada nesta terça-feira (3), sobre reunião que manteve os juros em 15% ao ano, o Comitê de Política Monetária do Banco Central confirmou que inicia o processo de queda da Selic na próxima reunião, em março, mas sinalizou para uma redução tímida. Há quem diga no mercado que essa queda pode ser de 0,5%, mas os mais cautelosos dizem que pode nem ser até de 0,25%. Os diretores do Copom afirmaram que o momento atual é de muita incerteza e exige cautela.

Eles saíram em defesa das últimas decisões do órgão, que tem sido bastante criticado por manter a taxa de juros altas, dizendo que tem o objetivo de levar a inflação à meta.

O Banco Central eleva os juros exatamente para controlar a inflação do país, e a taxa Selic chegou ao maior patamar dos últimos 20 anos. Pela primeira vez, o Banco Central falou em calibrar os juros, diante dos novos dados, mas não disse de quanto será o corte e que o ritmo de queda ainda vai ser avaliado ao longo do tempo, a depender de novos fatores.

Para o professor da FIPECAFI, Jorge Salles, a preocupação do banco se explica não apenas pela inflação, mas pelo cenário externo.

'A gente está acima da meta de inflação, a meta de inflação é 3% ao ano e a gente está rodando próximo de 4%, o Banco Central tem que seguir o que foi posto para ele como meta. Obviamente que a taxa de juros elevada prejudica demais o setor privado, além disso, essa taxa de juros elevada também pressiona a dívida pública.'

Na ata, o Banco Central deu recados, disse que vai manter o que chamou de restrição adequada, sugerindo então que os juros devem permanecer num patamar elevado e que o ciclo de queda deve ser gradativo. Apesar dessa expectativa do mercado de uma queda de meio ponto percentual, o economista Roberto Troster acredita que essa redução deve ser menor.

'Se eu tivesse que falar projeção, acho que o Banco Central vai insistir na mesma tecla, possivelmente baixe para 14,75% na próxima reunião e baixe gradativamente. Mas é um erro, a inflação já está convergindo para a meta, não na velocidade esperada.'

A aposta do mercado é que os juros fechem o ano em 12,25% ao ano, portanto uma taxa ainda alta, e os economistas preveem que a inflação feche 2026 em 3,99%, o que fica acima do centro da meta, mas dentro do intervalo de tolerância, Tati.