Copérnico completa 553 anos: o cientista que tirou a Terra do centro do universo
Aos 553 anos de seu nascimento, celebrado nesta quinta-feira (19), a trajetória de Nicolau Copérnico permanece associada a uma das transformações mais profundas da história do pensamento ocidental: a substituição da Terra pelo Sol como centro do sistema planetário. Ao publicar, em 1543, De revolutionibus orbium coelestium, o astrônomo desafiou séculos de tradição e alterou a forma como a humanidade compreende seu lugar no cosmos.
Nascido em 19 de fevereiro de 1473, em Toruń, então parte da Prússia Real sob domínio do Reino da Polônia, Copérnico cresceu em uma família ligada à elite local. Órfão de pai ainda na infância, foi educado sob a tutela do tio, bispo da Vármia, que garantiu sua formação intelectual. Estudou na Universidade de Cracóvia e, mais tarde, em instituições italianas como a Universidade de Bolonha e a Universidade de Pádua, onde teve contato com o ambiente humanista renascentista e aprofundou seus conhecimentos em matemática, medicina e direito canônico.
A dúvida que moveu a ciência
Durante seus estudos, Copérnico debruçou-se sobre o sistema geocêntrico formulado por Cláudio Ptolomeu, que colocava a Terra imóvel no centro do universo. Ao comparar os tratados antigos com suas próprias observações do céu, passou a identificar inconsistências nos cálculos e na explicação dos movimentos planetários.
A partir dessas inquietações, desenvolveu, ao longo de décadas, a teoria heliocêntrica, segundo a qual a Terra gira em torno do próprio eixo e orbita o Sol. Por volta de 1514, registrou as bases dessa hipótese em um manuscrito que circulou de forma restrita entre estudiosos. Somente no fim da vida autorizou a publicação de sua obra principal, impressa em Nuremberg no ano de sua morte.
Segundo relatos históricos, Copérnico recebeu um exemplar do livro pouco antes de morrer, em 24 de maio de 1543. A cena tornou-se simbólica: o cientista que deslocou a Terra do centro do universo via sua teoria ganhar o mundo no momento em que sua própria trajetória se encerrava.
O impacto de suas ideias foi gradual, mas duradouro. Décadas depois, nomes como Johannes Kepler e Galileu Galilei aprofundaram e confirmaram aspectos do modelo heliocêntrico, consolidando as bases da chamada Revolução Científica. Séculos mais tarde, o psicanalista Sigmund Freud classificaria a descoberta copernicana como a primeira grande “ferida narcísica” da humanidade, por retirar o ser humano de uma posição central e privilegiada no universo.
Ao completar 553 anos, Copérnico segue lembrado não apenas por uma mudança astronômica, mas por ter aberto caminho para um método científico baseado na observação e na revisão constante de certezas. Ao colocar o Sol no centro, inaugurou uma nova era do pensamento moderno — e redefiniu, para sempre, o horizonte humano.
