Uma das grifes mais comentadas do mundo da moda anunciou o encerramento de suas atividades justamente quando a indústria global de luxo atravessa uma de suas fases mais difíceis dos últimos anos. Conhecida pelos desfiles tecnológicos e pelo vestido criado com spray diretamente no corpo da modelo Bella Hadid, a francesa Coperni informou nesta quarta-feira, 4, que deixará de operar.
O anúncio ocorre em um ano em que seis dos maiores grupos de luxo da Europa perderam, juntos, 251 bilhões de euros em valor de mercado. A decisão foi comunicada pelos fundadores da Coperni, os estilistas Sébastien Meyer e Arnaud Vaillant, depois de meses de conflito com a Tomorrow, empresa que controlava a maior parte do capital e atuava como distribuidora exclusiva da marca.
A disputa envolvia, segundo os criadores, valores que teriam deixado de ser repassados ao negócio. A companhia francesa já havia recorrido à proteção judicial em junho.
Os esforços para encontrar uma solução financeira e societária acabaram fracassando. O caso não pode ser explicado exclusivamente pela desaceleração do consumo de luxo.
A Coperni enfrentava uma disputa específica de controle e financiamento, agravada pela mudança de acionistas da própria Tomorrow. Ainda assim, seu encerramento ocorre em um ambiente em que marcas e conglomerados do setor têm sido pressionados pela redução da demanda e pela dificuldade de sustentar o crescimento acelerado dos anos anteriores.
A incerteza sobre o futuro da marca Coperni permanece, uma vez que o anúncio diz respeito ao encerramento das operações de sua empresa francesa. Continua após a publicidade
Segundo levantamento publicado pelo Financial Times, os grupos LVMH, Hermès, Kering, Richemont, Prada e Moncler perderam, somados, 251 bilhões de euros em capitalização de mercado em 2026. Apenas LVMH e Hermès responderam por cerca de 225 bilhões de euros dessa redução.
A queda não significa que essas empresas tenham registrado prejuízos equivalentes ou perdido o mesmo montante em caixa, mas revela uma revisão expressiva das expectativas dos investidores sobre o futuro do setor. Continua após a publicidade
Parte importante da deterioração está relacionada à China, que durante mais de uma década funcionou como motor do crescimento mundial do luxo. A crise imobiliária prolongada e a fraqueza do mercado financeiro chinês reduziram a disposição para compras de alto valor.
Nos Estados Unidos, a perda de dinamismo do consumo de luxo também contribui para pressionar as grandes marcas. O movimento afeta especialmente empresas mais expostas aos consumidores aspiracionais, que compram produtos caros, mas permanecem sensíveis à renda e às condições econômicas.
Continua após a publicidade O cenário, porém, está longe de ser uniforme.
Marcas tradicionais com clientela de patrimônio elevado e produtos de maior exclusividade demonstram resistência superior à de empresas dependentes de tendências, lançamentos e consumidores ocasionais. É essa diferença que ajuda a explicar por que o setor pode enfrentar uma retração financeira expressiva sem que todas as suas empresas estejam diante da mesma crise.
Para a indústria da moda, o fechamento da Coperni funciona menos como prova de um colapso generalizado e mais como um alerta sobre a vulnerabilidade de negócios que precisam conciliar criatividade, capital e distribuição em um mercado cada vez mais exigente. Publicidade
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