Copacabana, a rainha das patinetes: veja o ranking dos bairros com mais usuários do transporte

 

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Na Zona Sul, as patinetes elétricas deixaram de ser novidade para se tornar parte da paisagem cotidiana, principalmente ao longo da orla. Dados da Whoosh, empresa de micromobilidade urbana responsável pelo serviço na cidade, mostram que Copacabana se consolidou como o principal polo de circulação desse tipo de transporte. O bairro lidera com folga o volume de viagens: 35,7% das partidas e 34,6% das chegadas registradas ocorreram ali. Na prática, isso significa que quase um quarto de todos os deslocamentos feitos com patinetes na cidade (23,2%) acontece em Copacabana.

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Os números fazem parte de um levantamento sobre a operação do serviço entre 22 de junho de 2024 e 31 de dezembro de 2025. Nesse período, foram registradas 2.906.714 viagens, que somaram 6.907.954 quilômetros percorridos pelos usuários, distância equivalente a dar mais de 170 voltas completas ao redor da Terra.

O volume de viagens atingiu o ponto mais alto em setembro de 2024, quando se aproximou de 230 mil deslocamentos em um único mês. Depois desse pico, a demanda se estabilizou em torno de 150 mil viagens mensais, com média diária próxima de 5.100 trajetos.

O protagonismo de Copacabana nesse cenário não é casual. O bairro reúne características que favorecem o uso de modais leves e individuais: alta densidade populacional, intensa presença turística, forte atividade comercial e uma extensa faixa de orla que concentra bares, restaurantes, hotéis e áreas de lazer. Essa combinação cria um ambiente propício para trajetos curtos, justamente o tipo de deslocamento em que a patinete elétrica se mostra mais eficiente. Horácio Magalhães, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, confirma que é grande o fluxo desses veículos no bairro:

— A percepção que nós, moradores, temos é que a patinete realmente caiu no gosto do carioca, especialmente de quem vive em Copacabana e também dos turistas que frequentam a região. A quantidade de patinetes que vemos circulando pelos calçadões, principalmente na Avenida Atlântica, é enorme, e eles estão espalhados por todo o bairro. Ao mesmo tempo, também é grande o número de reclamações sobre o mau uso. Muitos circulam pelas calçadas, desrespeitando pedestres, e há relatos frequentes de acidentes envolvendo patinetes. Por isso, acredito que ainda falta uma fiscalização mais efetiva e uma regulamentação mais clara para o uso desse tipo de transporte.

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Na prática, o equipamento passou a funcionar como uma alternativa rápida para circular entre diferentes pontos do bairro ou percorrer pequenos trechos da orla. Deslocamentos entre hotéis, bares, quiosques e praias aparecem entre os trajetos mais comuns, especialmente nos fins de semana, quando o fluxo de pessoas na região aumenta. Os dados indicam que, em Copacabana, o movimento de patinetes se intensifica nesses dias a partir das 11h, mantendo ritmo elevado ao longo da tarde e da noite.

Logo atrás de Copacabana aparece Ipanema, que também combina forte presença de turistas, comércio ativo e grande circulação de pedestres nas ruas próximas à praia. A proximidade entre os dois bairros favorece deslocamentos rápidos ao longo da orla, o que ajuda a explicar o alto número de viagens registradas na região.

Outro bairro da Zona Sul em destaque no levantamento é o Leme. Vizinho de Copacabana, o bairro se integra naturalmente às rotas utilizadas por quem circula pela faixa litorânea. A proximidade entre as duas regiões faz com que muitos trajetos incluam o Leme como ponto de passagem ou destino final, especialmente em deslocamentos ligados a atividades de lazer.

Mais adiante, na sequência aparece o Leblon, que também concentra volume relevante de viagens. O bairro combina áreas residenciais com intensa atividade gastronômica e comercial e mantém ligação direta com Ipanema por ciclovias e avenidas paralelas à praia. Essa configuração urbana favorece deslocamentos rápidos entre quarteirões ou entre bairros vizinhos, tornando a patinete uma alternativa prática para quem quer evitar congestionamentos ou caminhadas mais longas.

O levantamento mostra ainda a presença significativa de Botafogo entre os bairros com maior movimentação. Centros empresariais, comércio ativo e áreas de lazer contribuem para um fluxo constante de moradores e trabalhadores, criando condições favoráveis para a micromobilidade dentro da própria região.

Os dados também revelam padrões interessantes sobre o comportamento dos usuários ao longo do dia. O uso das patinetes cresce gradualmente nas primeiras horas da manhã: o movimento começa a aumentar entre 7h e 8h e segue em expansão até atingir o pico entre 20h e 21h.

Nos fins de semana, porém, a intensidade da circulação é ainda maior. Em média, são realizadas 298 viagens por hora nesses dias, contra 182 em dias úteis, uma diferença de cerca de 63,5%. No intervalo entre meio-dia e 22h, quando a movimentação urbana é mais intensa, o volume de viagens nos fins de semana chega a ser 66,5% maior.

Outro dado relevante diz respeito ao perfil dos usuários. O número de pessoas que utilizam o serviço regularmente vem crescendo ao longo do tempo. A partir de outubro, cerca de 30% dos usuários ativos passaram a ser recorrentes; ou seja, pessoas já cadastradas voltaram a usar o serviço nos meses seguintes.

Quando a operação começou, em junho de 2024, havia apenas 221 patinetes disponíveis. Em julho, esse número já ultrapassava mil unidades, e continuou aumentando até setembro. Nos meses seguintes, o crescimento se tornou mais moderado, e a frota se estabilizou em torno de 1.600 equipamentos. Em outubro de 2025, uma nova ampliação elevou o número total para 1.968 patinetes em circulação.

Na última terça-feira, a prefeitura do Rio publicou no Diário Oficial um decreto que criou o Sistema de Compartilhamento de Patinetes Elétricas. A medida estabelece regras para a operação do serviço, define normas de circulação e segurança e fixa as condições para o credenciamento de outras empresas que desejarem explorar a atividade no município.

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