Copa na Saara: veja produtos com as cores do Brasil no maior comércio popular do Rio
As fachadas das lojas da Saara, área de mercado popular do Rio, já estão tomadas pelas cores da seleção brasileira. Entre os cerca de 1.200 estabelecimentos, os torcedores podem encontrar uma infinidade de produtos para acompanhar a Copa do Mundo. As opções vão de camisas customizadas com o rosto dos jogadores brasileiros a uma coleção de roupas com tema de futebol — incluindo casacos e calças para o inverno —, além de máscaras de carnaval verde- amarela a capas para carro com a bandeira do Brasil.
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— O público vai encontrar tudo o que procura porque somos especialistas em eventos. A minha expectativa é de uma alta de 30% no número de vendas — afirma André Haddad, presidente do Polo Saara.
Nas ruas, os alto-falantes transmitem um anúncio que gruda no ouvido de quem passa: “Beco do Ouro, Beco do Ouro, Rua Buenos Aires, 237”. Quem vai até a loja encontra produtos com preços baixos.
Islaine Gonçalves, gerente da Beco do Ouro, com a corneta, bandana, máscara de carnaval verde-amarela e bandeira do Brasil vendidas na loja
Gabriel de Paiva/ Extra
— Temos opções de R$ 1, como bandeiras e máscaras. Os motoristas podem comprar a capa para o capô do carro, que está R$ 28. Para crianças, temos bandanas, perucas, bandanas e conjunto de roupas para crianças até R$ 30 — conta Islaine Gonçalves, gerente da loja Beco do Ouro (perfil no Instagram @becodoouro).
Há seis anos trabalhando na Beco do Ouro, Islaine já pela experiência de atender torcedores na última edição do torneio mundial, em 2022. Ela acredita que os bons resultados alcançados naquele período vão se repetir:
— Sai muita bandeira, vuvuzela e máscara. Pela experiência que já tive com a última Copa, o número de vendas tende a aumentar ainda mais na semana de jogos.
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Mesmo com o primeiro jogo da seleção brasileira marcado apenas para o dia 13 de junho, há uma parcela dos consumidores que já estão no aquecimento para a Copa. Felipe Coutinho conta que faz parte desse grupo:
— Já estou comprando acessórios para assistir aos jogos porque gosto de entrar no clima da competição — conta Felipe Coutinho.
A moda da Copa nas lojas
Na Rua Senhor dos Passos, os consumidores são atraídos pela combinação de cores das roupas e por um tapete customizado em formato de campo de futebol em uma das lojas da rede Dimona (perfil no Instagram @dimona). Nos cabides, é possível conferir a nova coleção de vestuário Molho Brasileiro, com peças casuais, esportivas e até para enfrentar o frio do meio do ano — todas com estampas que fazem referência ao futebol.
A vendedora Nathalia Angner, com casaco, blusa, calça, troféu e bola vendidos na rede Dimona
Gabriel de Paiva/ Extra
A inspiração do nome da coleção veio da expressão popular "ter molho". A empresa projeta com a novidade um faturamento de R$ 1,5 milhão. O estoque da loja começou com cerca de dez mil peças, incluindo bodies (R$ 69,90) e shorts (R$ 99,90), além de calças (R$ 179,90) e corta-ventos (R$ 299,90).
Ana Paula Mateus, gerente da unidade da Dimona no número 59 da via, afirma que trata-se de uma moda versátil:
— A ideia é que as roupas da coleção possam ser usadas em qualquer momento, sem ficarem restritas ao período da Copa. Há opções para o verão, o inverno e até para trilhas — diz.
Segundo Ana Paula, os produtos relacionados à Copa já representam cerca de 20% do faturamento de todas as filiais e do site da marca. As camisas são a principal demanda.
— Na minha loja, saem 40 camisas da Copa por dia. Quero triplicar esse número após o início dos jogos — revela.
A busca por produtos ligados ao torneio mundial também domina a internet. Nos últimos 30 dias, aumentou em 322% a busca pela frase “camisa da seleção brasileira”, segundo uma pesquisa feita pelo Cuponomia, plataforma de desconto e cashback em lojas virtuais.
Criatividade é a regra
Quando o assunto é roupa customizada, uma das principais referências é a Pardal Confecções (perfil no Instagram @pardalconfeccoes.oficial). O consumidor leva uma arte e um designer desenvolve o layout, que é enviado para uma máquina Direto do Filme (DTF), responsável pela impressão da estampa. Em seguida, ela é prensada na peça.
Processo de impressão das estampas na Pardal Confecções
Gabriel de Paiva/ Extra
Como a criatividade é a principal “regra” da Pardal, que fica na Rua Senhor dos Passos 290, os torcedores estão aproveitando pra pedir camisas — que custam de R$ 55 a R$ 85 — com rosto de jogadores. No atacado, a partir de 10 peças, o valor cai em R$ 10 de cada unidade. Jaqueline Santos Dantas, sócia-diretora da confecção, diz que o carro-chefe tem sido o Neymar:
— Há artes de vários jogadores, como Vini Jr. e Lucas Paquetá. Mas sempre questionam: “Dá para pôr o Neymar?”.
Jaqueline Santos Dantas, sócia-diretora da Pardal confecção, com algumas camisas com estampa do jogador Neymar
Gabriel de Paiva/ Extra
Segundo Jaqueline o produto fica pronto em torno de uma hora. Dependendo da quantidade de roupas pedidas, a finalização pode levar cerca de dois dias.
Além das camisas, a loja também vende ecobags, bonés e até coletes. Caso o consumidor tenha uma demanda de outro tipo de roupa, é possível levar a peça para que a estampa seja colocada.
— Como somos uma confecção, se o cliente trouxer uma demanda, a gente tem uma equipe por trás para atender peças diferentes — explica Jaqueline.
Bonés verde-amarelos
Para quem entrar de cabeça nos preparativos para a Copa, a loja Tenho Uma (perfil no Instagram @tenhouma) que oferece bonés customizados, que custam de R$ 55 a R$ 75.
Paula Mendonça, dona da Tenho Uma, com os bonés produzidos pela marca
Gabriel de Paiva/ Extra
— Trabalhamos com os bonés dad hat, de R$ 55, com uma curvatura seis gomos e mais anatômico. Já as opções de R$ 75 tem um melhor acabamos, ilhós (que ajuda na respiração) e tem uma durabilidade maior — conta Paula Mendonça, dona da Tenho Uma.
Com uma máquina de costura atrás do balcão, ela explica que o cliente tem liberdade de escolha na customização das peças:
— O cliente pode chegar e escolher o que colocar no boné na hora. Já tivemos pedidos de bonés com aquela meme "uma boneca dessas", assim que a influencidora Lorena Maria terminou com o MC Daniel. A gente fica atento as novidades.
Produção de frases e desenhos dos bonés da loja Tenho Uma
Gabriel de Paiva/ Extra
Com a venda média de 150 a 200 unidades por mês, a marca mineira já sente um aumento da demanda:
— Notei uma alta de 20% nas vendas. Há muitos pedidos de bonés com termos como “made in Brasil” e “latino-americano”, além da bandeira do Brasil minimalista — diz Paula Mendonça, dona da Tenho Uma.
Transmissão online do Molezão Live Shopping, no Saara
Gabriel de Paiva/ Extra
A Tenho Uma fica em um box no Molezão Live Shopping (perfil no Instagram @molezaoliveshopping), que fica na Rua Buenos Aires 243. O local trabalha com o conceito de live shop, uma estratégia de vendas online que combina transmissões ao vivo com comércio eletrônico. Funciona assim: o comerciante aluga por hora o uso de um estúdio que fica lá mesmo para fazer uma live anunciando seus produtos.
— O comerciante chega com seus produtos e nós produzimos as lives. É um duplo produto: há a venda física e também a digital, mesmo para quem não tem loja aqui. Estamos com uma grande expectativa de fazer transmissões ao com produtos da Copa porque o assunto vai bombar nos algoritimo das redes sociais nos próximos dias — conta Pablo Ronald, gerente da Molezão Live.
