Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, poucos elementos despertam tanta memória afetiva no futebol quanto suas músicas. Mais do que trilhas promocionais, os hinos das Copas acabam se transformando em símbolos emocionais de uma época, associados a gols históricos, reuniões em família, tardes diante da televisão e momentos que atravessam gerações. Talvez por isso algumas canções permaneçam vivas mesmo anos depois do torneio, enquanto outras desaparecem junto com o apito final.
Entre os exemplos mais marcantes está “Waka Waka (This Time for Africa)”, de Shakira com Freshlyground, música oficial da Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul. A faixa se tornou um fenômeno global e segue sendo considerada um dos maiores hinos da história do torneio, ultrapassando bilhões de visualizações no YouTube e permanecendo até hoje entre as músicas mais lembradas quando o assunto é Copa do Mundo. Parte desse impacto também está ligada ao contexto histórico daquela edição, a primeira realizada em solo africano, além do refrão simples e da repetição constante que ajudaram a transformar a música em um símbolo imediato daquele período. E este ano, Shakira entrará em campo mais uma vez, com "Dai Dai", música feita em parceria com Burna Boy,
Shakira anuncia 'Dai Dai', música da Copa
Reprodução
Outro caso emblemático é “Wavin’ Flag”, do cantor K’NAAN, que mesmo sem ter sido oficialmente escolhida pela FIFA acabou entrando para a memória coletiva de milhões de pessoas durante o Mundial de 2010. Ligada à campanha global da Coca-Cola, a música foi executada de forma massiva em comerciais, transmissões, estádios e ativações espalhadas pelo mundo inteiro. O refrão acabou absorvido pelo público de forma tão forte que, para muita gente, a faixa se tornou tão representativa da Copa quanto o próprio torneio.
Para o DJ e produtor musical Diego Spy, mais conhecido como JESTFLY, existe uma construção emocional muito específica por trás das músicas que conseguem sobreviver ao tempo. “A música da Copa precisa ser entendida rápido porque ela disputa atenção com o jogo, com a emoção do torcedor e com toda a atmosfera do evento. Os hinos que marcam geração normalmente têm refrões muito simples, repetição forte e uma sensação imediata de pertencimento. A pessoa escuta aquilo durante um mês inteiro ligada à televisão, à torcida, à família e aos momentos emocionais daquele período. Depois de anos, basta tocar o refrão que ela volta automaticamente para aquela época”, analisa.
Shakira, Madonna e BTS serão as atrações da final da Copa do Mundo
Pablo PORCIUNCULA / AFP e Divulgação/BTS
Na Copa do Mundo de 2026, esse debate volta à tona porque a FIFA já começou a revelar os primeiros detalhes da identidade musical do torneio. A entidade confirmou “Dai Dai”, parceria entre Shakira e Burna Boy, como música oficial desta edição, além de outras faixas que irão compor o álbum do campeonato. Diferente das edições anteriores, a estratégia agora aposta em múltiplos lançamentos musicais ao longo da competição, criando uma experiência sonora mais ampla e diretamente conectada ao consumo digital da nova geração.
Para Diego Spy, essa mudança também pode alterar a maneira como as futuras gerações irão se lembrar das próximas Copas do Mundo. “Antigamente existia praticamente um único hino dominando o torneio inteiro. Hoje a internet fragmenta muito mais o consumo de música. Mesmo assim, quando uma canção consegue se conectar emocionalmente com o futebol e com a experiência coletiva das pessoas, ela ultrapassa o campeonato. O hino da Copa fica porque ele acaba organizando emocionalmente uma época inteira na memória das pessoas”, conclui.
