Copa do Mundo deve aumentar fluxo de turistas nos EUA

Copa do Mundo deve aumentar fluxo de turistas nos EUA

 

Fonte: Bandeira



A política anti-imigração do atual governo dos Estados Unidos não impactou de forma relevante o fluxo de turistas brasileiros ao país. O total de viajantes ao território americano cresceu 0,3% em 2025, para 1,9 milhão de pessoas, com um volume de geração de gastos estimado em US$ 9,8 bilhões, ante uma retração de 5,5% no fluxo de visitantes internacionais no mesmo período (de 72,3 milhões para 68,2 milhões de pessoas), segundo o Escritório Nacional de Viagem e Turismo dos EUA (NTTO, na sigla em inglês). A expectativa é de um desembarque maior de brasileiros este ano por causa da Copa do Mundo, que começa em 11 de junho.

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O ligeiro incremento do turismo brasileiro ocorre em meio a notícias sobre prisões realizadas por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês), deportações e restrição de vistos de turismo para cidadãos de vários países, incluindo aqueles cujas seleções de futebol se classificaram para o torneio organizado pela Fifa, como Marrocos e Haiti, adversários da seleção brasileira. Sede da competição, ao lado do México e do Canadá, os EUA serão palco de 78 do total de 104 jogos programados.

Os dados do NTTO posicionam o Brasil na quarta colocação do ranking de emissores internacionais de turismo para os EUA, atrás de México, Índia e China. As cidades de Nova York, Orlando e Miami concentraram mais de 62% de todas as chegadas de visitantes brasileiros em 2025. Indicam também que, apesar do cenário de política imigratória mais rígida, o desejo de viajar ao país é grande.

Vistos menos recusados

Para se ter ideia, dos 594 mil de vistos emitidos para brasileiros entre janeiro e agosto do ano passado, 93,3% foram da categoria B1/B2 (turismo/negócio, que tem validade de dez anos). As emissões de vistos dessa categoria deram um salto em 2022, quanto totalizaram 748.595 em 2022 (ante 71.661 em 2021), evoluíram para 1.094.633 no ano seguinte e apresentaram um ligeiro recuo em 2024, para 1.088.407.


Política migratória mais restritiva é direcionada ao controle da imigração irregular e não ao visitante que cumpre todos os requisitos legais de entrada, afirma Kayan Almeida, especialista em mobilidade global do Viva América, assessoria especializada em serviços para pessoas que desejam trabalhar e estudar nos EUA.

—São dinâmicas distintas, com impactos pouco correlacionados — ressalta.

Ele ressalta que, apesar do endurecimento da política de imigração, a taxa de recusa de vistos B1/B2 a brasileiros em 2025 (14,8%) foi ligeiramente inferior à registrada em 2024 (15,4%), último ano da gestão Joe Biden, conforme dados do Departamento de Estado.

Em janeiro deste ano, mais de 199 mil turistas brasileiros visitaram os EUA. Com a proximidade do início da Copa do Mundo, o setor de agenciamento de turismo espera aumento significativo na procura por pacotes que ofereçam experiências completas dentro e fora dos estádios de futebol.

—O brasileiro deixa tudo para a última hora — observa Ana Carolina Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), acrescentando que o setor preparou diferentes ofertas de pacotes.

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Segundo Paulo Castello Branco Filho, diretor de negócios do Projeto Copa do Mundo da Golden Goal, que atua como um canal oficial de vendas de hospitalidade no Brasil, até abril foram comercializados 10 mil ingressos dessa modalidade no Brasil, considerando diferentes jogos, fases e categorias de experiência. O volume supera em 150% as vendas registradas no mesmo período na edição de 2022 do torneio, no Catar.

Serviços personalizados

Pacotes de hospitalidade oferecem comodidades tais como assentos premium nos estádios, áreas confortáveis de descanso ou espera (lounges) exclusivas, gastronomia de alto padrão, entretenimento e serviços personalizados para o público em geral e para empresas que utilizam o evento esportivo como plataforma de relacionamento e negócios. O fato de a seleção brasileira jogar na Costa Leste — contra Marrocos (dia 13, em Nova York), Haiti (dia 19, na Filadélfia) e Escócia (dia 24, em Miami) — cria um atrativo adicional para os brasileiros irem ao mundial da Fifa.

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A expectativa é de forte aceleração das vendas de ingressos, especialmente com a recente abertura da venda individual de pacotes de hospitalidade para o jogo da final, que trouxe uma nova camada de demanda.

— Historicamente, as fases decisivas e partidas da seleção brasileira são as primeiras a apresentar maior restrição de disponibilidade. A tendência é de ocupação de toda a oferta destinada ao mercado brasileiro — diz o executivo da Golden Goal.