Copa do Mundo 2026: na reta final da briga por vagas, o GLOBO lança o 'Atacômetro', termômetro dos atacantes brasileiros
O técnico Carlo Ancelotti lida com situações opostas na missão de montar o grupo que irá à Copa. Se nas laterais e no meio a dificuldade é a escassez de opções, no ataque há excesso. A fartura se deve ao bom momento dos brasileiros da posição no futebol mundial e só faz aumentar a expectativa em torno de quais serão os escolhidos. Como a corrida promete ser acirrada até a linha de chegada, o GLOBO lançou o Atacômetro da seleção.
'Questões pessoais': em meio à guerra no Oriente Médio, meia Claudinho deixa o Catar
Veja fotos: CBF e fornecedora revelam uniforme azul que seleção usará na Copa
Trata-se de uma ferramenta que funciona como termômetro do desempenho dos atacantes brasileiros nos últimos meses. Para metrificar o momento de cada um, foram distribuídos pontos para gols marcados (com peso maior para os considerados decisivos), assistências, finalizações certas, jogos como titular e percentual de presença no total de partidas dos clubes. O período avaliado é a partir do retorno da última data Fifa, em novembro.
O Atacômetro está disponível no site do GLOBO e será atualizado a cada rodada de meio e de fim de semana até a convocação final. Nele, o torcedor poderá acompanhar a pontuação total e a contabilidade de cada item.
Os amistosos contra França e Croácia, nos dias 26 e 31, também serão computados. E, a partir de agora, aquele que tiver uma atuação de grande destaque poderá ser escolhido pela redação do GLOBO como o melhor da rodada, o que valerá uma pontuação extra.
A lista é composta por quem já participou de ao menos quatro partidas pela seleção no ciclo para a Copa. Porém, se algum nome diferente for chamado por Ancelotti na convocação da próxima segunda, a última antes da elaboração da lista final, ele também será incluído — com o mesmo recorte de jogos que os demais. Ou seja: desde novembro.
Importante deixar claro que o Atacômetro não tem o objetivo de indicar quem irá à Copa, pois as escolhas também levam em conta fatores que não podem ser metrificados. A ideia é que a ferramenta funcione como termômetro e mostre como eles chegam ao Mundial.
O Atacômetro já considera a ausência de Rodrygo, do Real Madrid, recém-operado em razão de uma ruptura do ligamento cruzado do joelho. Ainda assim, as opções continuam sendo muitas. São 13 atacantes avaliados.
atacometro 1
As chances de cada um passam também pela quantidade de vagas na lista final. Se Ancelotti mantiver o esquema com quatro atacantes, espera-se que ele leve nove. Ou até dez.
— Quando você pensa em 23 convocados, pega as 11 posições, multiplica por dois e inclui um terceiro goleiro. Quando coloca mais três, a dúvida é onde os excedentes vão entrar. Acho que um vai para a defesa e serão quatro volantes. E o que pode acontecer? Estou trabalhando com a ideia de nove atacantes especialistas mais o Paquetá. Para mim, ele vai ser o reserva do dez, que no time titular será um atacante. E quando mudar o jeito de jogar entra o Paquetá — projeta o colunista do GLOBO Carlos Eduardo Mansur.
Dos 13, nenhum vive momento tão especial quanto João Pedro. Em seu primeiro ano no Chelsea (e sétimo no futebol inglês), o atacante desandou a fazer gols e rapidamente assumiu o protagonismo do setor.
— Ele desabrochou. Sempre fez boas temporadas desde a época de Fluminense, Watford e Brighton. Mas agora num grande palco, numa grande camisa como a do Chelsea, com aspirações grandes. E assumiu uma liderança incrível — analisa Mário Marra, comentarista de Premier League nos canais ESPN.
O faro artilheiro de João Pedro no Chelsea ainda não foi visto na seleção. Mas sua movimentação o põe como um nome com grande potencial para se encaixar no esquema de Ancelotti. Não à toa, é visto como alguém que briga pela titularidade com Matheus Cunha, do Manchester United.
— Não o vejo como esse nove, apesar de hoje ser mais do que era. Na época do Brighton, o Welbeck jogava à frente, e ele (João Pedro) fazia (a função de) um dez, ou um 9,5. Ele era o cara que facilitava a vida para o atacante. E hoje ele joga de costas, toma pancada, faz bem o pivô. Acho que cresceu e evoluiu muito nessa função — completou o comentarista.
O pódio do Atacômetro é completado por Raphinha e Vini Jr, dupla que, bem fisicamente, tem presença certa na Copa. Mas a ferramenta mostra ainda o bom momento de Igor Jesus. Agora no Nottingham Forest, o ex-Botafogo se firmou rapidamente no futebol inglês e aparece como opção de centroavante de área, que Ancelotti ainda procura. Uma busca tão aberta a ponto de Igor Thiago, nunca convocado, ganhar destaque nesta reta final de ciclo pela vice-artilharia da Premier League, com 18 gols. Isso sem contar Endrick, que trocou o Real pelo Lyon por visibilidade.
— Tem aberta uma vaga de nove fixo, e hoje o melhor rendimento é do Igor Jesus. Mas o Ancelotti adora o Richarlison — diz Mansur, lembrando da insistência do italiano pelo jogador do Tottenham.
Por outro lado, o termômetro também aponta para o momento de Estêvão. Mesmo antes da lesão, o companheiro de João Pedro no ataque do Chelsea não vinha marcando e nem sendo titular com tanta frequência. Situação normal para uma jovem promessa. Mas que, mesmo aos 18 anos, já deu mostras de seu potencial. Inclusive na seleção.
— O Chelsea não tem a pressa que a gente tem do Estêvão chegar e jogar. Ele não foi contratado para brilhar na temporada e arrebentar na Copa. Foi para ficar muitos anos fazendo gols pelo Chelsea — comenta Mário Marra: — Ele jogou vários jogos grandes, importantes, e tem muito respeito dos jogadores. Então, para mim, é um processo muito natural que ele está vivendo. E vai estar pronto na seleção.
