Convocado para a Copa: como Endrick fez tudo para voltar à seleção
Era março de de 2024 quando Endrick, que já era uma sensação do futebol brasileiro após brilho na reta final da campanha do título nacional do Palmeiras, caía de vez nas graças do torcedor da seleção. Saindo do banco, marcou gol da vitória sobre a Inglaterra (1 a 0) e um dos três no movimentado empate em 3 a 3 com a Espanha, ambos em amistosos. O início perfeito para um dos grandes de uma nova geração da seleção brasileira, então com 17 anos, rumo à Copa do Mundo de 2026. Mas o final feliz, decretado com a inclusão de seu nome na lista dos 26 convocados pelo técnico Carlo Ancelotti, ontem, pareceu, muitas vezes, a perigo.
Isso porque o atacante de 19 anos precisou superar um ciclo marcado por turbulência nos clubes e pouco espaço com Ancelotti antes do voto definitivo de confiança. A primeira chamada pelo novo treinador foi nos amistosos com França e Croácia, em março. No segundo, sofreu o pênalti do segundo gol e deu assistência para o terceiro.
Igor Thiago recebe abraço de Endrick ao comemorar gol em Brasil x Croácia
Rafael Ribeiro / CBF
Poucos minutos
Dois meses depois daqueles dias de sonhos em 2024, o atacante deixaria o Palmeiras para se juntar ao Real Madrid, que pagou 72 milhões de euros (cerca de R$ 400 milhões, na cotação da época) para contar com seu talento. O caminho, a partir dali, foi mais desafiador.
No clube, teve pouco espaço tanto com o próprio Ancelotti, que ainda treinava os merengues, quanto com Xabi Alonso, comandante posterior. Em uma temporada e meia, marcou sete gols pelo clube. Somou 40 jogos, mas apenas nove como titular. Teve média de 23 minutos em campo por partida.
Endrick teve baixa média de minutos em Madri
Pierre-Philippe MARCOU / AFP
Disputou Copa América e Eliminatórias, mas caiu de rendimento junto à equipe, na melancólica reta final da passagem de Dorival Júnior. Com a chegada do italiano, perdeu espaço também na seleção. Havia entrado em campo com a camisa amarela pela última vez na goleada por 4 a 1 para a Argentina, em março de 2025, resultado que culminou na saída do antigo treinador.
Na era Ancelotti, ficou fora da reta final das Eliminatórias e de amistosos, entre junho e novembro de 2025, período em que também conviveu com lesões musculares. Em dezembro, aceitou uma mudança drástica na carreira para jogar mais: adiar o sonho em Madri e se arriscar no Lyon, na França. Deu certo.
“Saia, jogue, desenvolva o seu futebol onde você possa jogar e possa ser feliz”, aconselhou o próprio Ancelotti, segundo o atacante.
Endrick se encaixou rapidamente no Lyon
Jean-Christophe Verhaegen/AFP
Se encaixou no clube francês rapidamente e fez grande temporada, com 15 participações em gols (oito gols e sete assistências) em 21 jogos. Já teve até o retorno determinado pelo Madrid, que voltará a ter um dos principais jovens talentos do mundo — agora, de Copa do Mundo — em seu elenco.
