Conversas de WhatsApp revelam ‘lista de alunas estupráveis’ de estudantes da UFMT, e polícia investiga
A Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) optou por suspender as atividades presenciais dos cursos de Direito e Engenharia Civil no campus de Cuiabá (MT) após conversas de WhatsApp vazadas mostrarem que alunos dos cursos teriam criado uma listagem de “alunas mais estupráveis” da universidade.
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De acordo com o Centro Acadêmico da universidade, o caso se tornou público há duas semanas, quando as mensagens chegaram até outros estudantes de diferentes cursos que se revoltaram com o caso e promoveram protestos no dia 4 de maio. Na conversa, os alunos deixam evidente a intenção de abusar sexualmente de colegas da turma.
Cartaz de estudante em protesto contra caso de "lista de estudantes estupráveis" da UFMT
João Lucas Rodrigues Tessaro/Reprodução G1
“Na minha também tem (aluna gótica e roqueira). Com piercing na boca. Vou molestar. Bora depois fazer um ranking de alunas mais estupráveis dos nossos cursos”, diz um dos estudantes nas mensagens, obtidas pela TV Globo.
Um aluno da UFMT, que é representante de turma, optou por realizar uma denúncia formal à coordenação após receber o conteúdo das trocas de mensagens, além de repreender os suspeitos. Segundo a reitoria, o pai de um dos alunos envolvidos teria entrado no campus e ameaçado alunos ao afirmar que “se o filho dele não se formasse, os demais também não se formariam”. De acordo com as investigações da Polícia Civil, responsável pelo caso, o responsável é agente da Polícia Federal.
Ações da universidade
A administração da UFMT criou uma Comissão de Inquérito Disciplinar para apurar os casos nas faculdades de Direito e Engenharia. Em esclarecimentos dados à universidade, o estudante de Direito, que é calouro do curso, afirmou que o seu celular foi utilizado por terceiros para o envio de mensagens, já o estudante de Engenharia segue sem se pronunciar.
Por questões de segurança da comunidade acadêmica, a UFMT protocolou a suspensão das atividades presenciais inicialmente de 14 a 18 de maio, mas acabou prorrogando o prazo, sem uma data definida para retorno. Segundo a instituição, foi solicitado reforço na segurança junto à Polícia Militar e ao serviço de segurança interna da instituição.
O Centro Acadêmico de Direito emitiu uma nota de repúdio ao caso, que classificou como “comportamento misógino” de um estudante.
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Confira a nota da UFMT:
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) informa que, após reunião realizada nesta segunda-feira (19), o Colegiado do Curso de Engenharia Civil decidiu pela manutenção das aulas remotas para os estudantes do primeiro semestre, por tempo indeterminado, até que sejam devidamente apurados os desdobramentos relacionados ao caso em investigação.
A medida tem caráter preventivo e visa preservar a segurança, o acolhimento e a estabilidade do ambiente acadêmico, assegurando o acompanhamento institucional necessário aos estudantes e à comunidade universitária.
A Universidade reforça que segue colaborando integralmente com as investigações conduzidas pelas autoridades competentes e reafirma seu compromisso com a proteção da comunidade acadêmica, o respeito aos direitos humanos e a promoção de um ambiente universitário seguro e responsável.
