Conversa entre Vorcaro e Moraes no dia da prisão do banqueiro em 2025 amplia pressão por investigação sobre Master no Congresso
A revelação de que o empresário Daniel Vorcaro trocou mensagens com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no dia em que foi preso pela primeira vez ampliou a pressão política para que o Legislativo avance em investigações sobre o caso do Banco Master. Parlamentares ouvidos pelo GLOBO relatam apreensão nos bastidores do Senado, embora a maioria ainda resista a tratar publicamente do episódio.
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A reportagem publicada pela colunista Malu Gaspar mostrou que Vorcaro enviou uma série de mensagens a Moraes no dia da operação da Polícia Federal que levou à sua prisão, em 17 de novembro de 2025, no âmbito das investigações sobre o banco. O ministro nega ser o interlocutor citado nas conversas.
Líderes de partidos de centro e centro-direita afirmam que a menção ao nome de Moraes aproxima diretamente o caso do Banco Master do Supremo e aumenta a necessidade de uma apuração feita pelo Parlamento.
Relator da CPI do Crime Organizado no Senado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou ao GLOBO que os fatos revelados exigem investigação e podem trazer novos elementos para o trabalho da comissão.
— São fatos gravíssimos que exigem apuração rápida e transparente. Ao que tudo indica, nós temos relações, no mínimo, não republicanas entre ministros da Suprema Corte e um cidadão que hoje está preso e denunciado por fazer parte do crime organizado, com fraudes e golpes bilionários — disse.
A posição foi reiterada pelo senador Cleitinho (Republicanos-MG),que defendeu uma reação do Congresso:
— O Senado precisa reagir. A população brasileira quer resposta. A gente está falando de uma fraude bilionária e de um ministro do STF no meio disso — afirmou o parlamentar, que defende a instalação de uma CPI específica sobre o Master.
Na Câmara, o deputado Duarte Júnior (PSB-MA), vice-presidente da CPI do INSS, afirmou que pretende levar o tema à comissão e avalia a apresentação de um convite para que Moraes preste esclarecimentos ao colegiado.
— Os dados são bem reveladores. Não se trata de um encontro institucional entre um ministro do Supremo e um magistrado dentro do tribunal, mas de um encontro particular, com relações pessoais e mensagens perguntando sobre supostos bloqueios de processo. São questões graves que precisam ser aprofundadas — disse.
Segundo o deputado, a comissão avalia os instrumentos disponíveis para avançar na apuração.
— A gente está estudando a melhor forma de fazer isso, seja com requerimento de novas informações, quebra de algum outro sigilo ou um convite para esclarecimentos — afirmou.
Entenda o caso
De acordo com a colunista Malu Gaspar, informações extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro mostram que o banqueiro dava informações ao ministro sobre o avanço das negociações para a venda do Master e sugerem que também falou sobre o inquérito sigiloso que estava em andamento na Justiça Federal de Brasília e o levou à prisão.
Duas vezes, durante o dia, ele pergunta a Moraes se tinha alguma novidade, e ainda questiona: “Conseguiu bloquear?” Há ao todo prints de nove mensagens que mostram uma conversa via WhatsApp entre 7h19m e 20h48m de 17 de novembro — o banqueiro foi preso na noite daquele dia no Aeroporto de Guarulhos. O ministro afirmou que “não recebeu as mensagens referidas na matéria” e que “trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”.
Relações políticas
A repercussão ocorre em meio a outras revelações envolvendo personagens políticos nas investigações sobre o banco. Mensagens obtidas pelo GLOBO mostram, por exemplo, que Vorcaro também mencionava o senador Ciro Nogueira (PP-PI) em conversas privadas. Em um dos diálogos de 2024, o empresário afirma que o parlamentar é “um dos meus grandes amigos de vida”.
Em outro trecho das mensagens, Vorcaro comemora uma emenda apresentada por Ciro durante a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição que trata da autonomia orçamentária do Banco Central. A proposta sugeria elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por depositante e transferir a gestão do fundo para o Banco Central.
Procurado, Ciro Nogueira afirmou que mantém diálogo por mensagens com diversas pessoas e que isso não significa proximidade. Em nota, o senador disse que está tranquilo quanto às investigações e afirmou que nunca manteve conduta inadequada relacionada ao caso.
