Controle de Ormuz e reparação pela guerra: Irã apresenta cinco condições para cessar-fogo com EUA

 

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O Irã rejeitou a proposta dos Estados Unidos para um cessar-fogo e estabeleceu cinco condições essenciais para um armistício entre os dois países. A televisão estatal iraniana Press TVnoticiou o fato, citando um alto funcionário do regime.

Entre as condições, estão:

'Completo fim da agressão e das mortes' por parte dos Estados Unidos e de Israel

'Estabelecimento de mecanismos concretos para garantir que a guerra não seja imposta novamente à República Islâmica'

'Pagamento garantido e claramente definido de indenizações e reparações de guerra'

'Fim da guerra em todas as frentes e de todos os grupos de resistência envolvidos em toda a região'

'Reconhecimento e as garantias internacionais quanto ao direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz'

Já da parte dos Estados Unidos, há uma defesa de que os iranianos não desenvolvam armamento nuclear e também libere o Estreito de Ormuz, entre outras propostas.

O Irã afirma que se recusa a aceitar o cessar-fogo na guerra do Oriente Médio com os Estados Unidos e também considerou 'ilógicas' as tentativas de negociações com partes que 'violaram acordos'.

As afirmações são de uma alta autoridade do governo iraniano para a agência de notícias estatal Fars, sendo noticiada pela Bloomberg.

"Uma fonte bem informada, falando à agência de notícias Fars, apontou para o fracasso do lado oposto em atingir seus objetivos, afirmando: 'O Irã não aceita um cessar-fogo. Fundamentalmente, entrar em um processo desse tipo com aqueles que violaram os acordos não é lógico'", citou o veículo.

Ao mesmo tempo, a Press TV, televisão estatal iraniana, citando um alto funcionário, o Irã defende que 'encerrará a guerra quando decidir fazê-lo e quando suas próprias condições forem atendidas'.

'As operações defensivas do Irã continuarão até que suas condições sejam atendidas' disse o oficial, descrevendo a proposta dos EUA como 'excessiva'.

A fala acontece após uma pressão dos EUA para que as negociações acontecessem.

Donald Trump durante ataques contra o Irã.

Daniel Torok / Casa Branca

Mais cedo, o Irã disse nesta quarta-feira (25) que não negocia e nem negociará com os Estados Unidos porque não é possível confiar na diplomacia americana. A afirmação é do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, primeira grande autoridade do governo iraniano a comentar abertamente sobre o tema.

Ele rejeitou os esforços de mediação, citando a traição à diplomacia quando o Irã foi atacado duas vezes durante negociações nucleares anteriores, antes do início do conflito.

Baghaei disse que o Irã não pode confiar na diplomacia americana e que as forças armadas iranianas estão focadas na defesa do território do país. Ele reconheceu que vários países, incluindo o Paquistão, ofereceram mediação, mas enfatizou que o Irã está sob bombardeio constante.

'Temos uma experiência catastrófica com a diplomacia americana. Fomos atacados duas vezes em um intervalo de nove meses, enquanto estávamos em meio a um processo de negociação para resolver a questão nuclear. Isso foi uma traição à diplomacia – uma expressão agora amplamente usada no Irã – e aconteceu não uma, mas duas vezes. Ninguém pode confiar na diplomacia americana. Nossas bravas forças armadas estão atualmente focadas em defender o território e a soberania do Irã contra esta guerra brutal e ilegal', declarou.

O porta-voz ainda declarou que os ataques militares americanos partiram de bases em países do Golfo Pérsico e que o Irã está exercendo seu direito à autodefesa, conforme o Artigo 51 da Carta da ONU.

Na entrevista, ele também explica que o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, é o responsável pela diplomacia externa do Irã.

'O Presidente do Parlamento, Sr. Ghalibaf, é um político de alto escalão que atua dentro dos mandatos e atribuições conferidos pela Constituição. A divisão de trabalho entre nossas autoridades é clara e transparente. No momento, estamos 100% focados em defender a soberania e o território do Irã contra esses ataques brutais'.

Novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.

Ahmad Al-Rubaye/AFP