Controlador de tráfego aéreo envolvido em acidente com duas mortes em aeroporto de NY continuou trabalhando depois da colisão
Na noite do acidente que tirou a vida do piloto Antoine Forest, 30, e do copiloto Mackenzie Gunther, recém-formado em tecnologia da aviação, apenas dois funcionários estavam de plantão no setor de tráfego aéreo do aeroporto de LaGuardia (Nova York, EUA). O controlador responsável por liberar a entrada do caminhão de bombeiros na pista, que depois viria a colidir com a areonave 8646 da Air Canada Express, continuou trabalhando mesmo depois da colisão, no último domingo (22/3).
A informação foi confirmada pelo Conselho Nacional de Segurança no Transporte dos Estados Unidos (NTSB). Em coletiva realizada na segunda (23/3), a presidente do órgão, Jennifer Homendy, revelou uma questão relevante acerca do acidente: "
Sabemos que o controlador continuou em serviço por vários minutos depois disso. Normalmente, ele seria substituído. Havia alguém disponível para subsituir esse controlador? Ainda não sabemos."
Jennifer também fez um alerta a respeito da atribuição de culpa no acidente. Segundo ela, não é o momento para "apontar o dedo para os controladores e dizer que houve distração" enquanto a Administração Federal de Aviação americana (FAA) investiga o caso.
O momento em que avião da Air Canada Express se chocou com caminhão em aeroporto de Nova York
Reprodução/X
Uma das hipóteses da colisão é de que a torre de controle liberou a a entrada do caminhão para checar um odor misterioso que teria causado mal-estar na tripulação de uma aeronave. Ou seja, um dos controladores permitiu que os bombeiros atravessassem a pista apenas 12 segundos antes do pouso do avião da Air Canada Express.
Logo depois da batida, o mesmo controlador diz ter feito "besteira" enquanto informa sobre a interrupção das atividades do aeroporto a outro piloto na pista.
"Houve um acidente na pista. Fique parado. Estávamos lidando com uma emergência. Fiz besteira".
O piloto responde: "Não cara, você fez o que podia".
Jennifer também apontou que a falha não pode ser atribuída apenas a uma pessoa:
"Raramente, ou quase nunca, investigamos um acidente grave em que houve apenas uma falha. Quando algo dá errado, significa que muitas, muitas coisas deram errado."
O acidente
A colisão aconteceu por volta das 23h40 do último domingo (22/3). Entre os 72 passageiros e 4 tripulantes a bordo, duas vítimas foram confirmadas: piloto e copiloto da aeronave. Eles foram identificados como Antoine Forest e Mackenzie Gunther. Mais de 40 pessoas ficaram feridas no acidente.
Avião se choca com caminhão em aeroporto de Nova York
Tudo aconteceu durante a aterrisagem do avião da Air Canada Express no aeroporto de LaGuardia, em Nova York. Segundo investigações preliminares, o caminhão respondia a um "incidente separado" na pista referente a uma "denúncia de odor" em outra aeronave.
A comissária de bordo Solange Tremblay estava sentada logo atrás das duas vítimas do acidente e, na colisão, foi arremessada a cerca de 100 metros da aeronave. Ela foi encontrada com múltiplas fraturas, ainda presa em seu assento pelo cinto de segurança, e viva.
Aeromoça sobrevive depois de ser ejetada de avião que colidiu na pista do aeroporto de LaGuardia, em Nova York (EUA)
Reprodução
A filha de Solange descreveu a situação como "milagre" e confirmou que a mãe passaria por cirurgias.
(*) Estagiário sob supervisão de Fernando Moreira
