Bill Gates criticou os incentivos que levam empresas a substituir trabalhadores por inteligência artificial e alertou para uma onda de perda de empregos. “A estrutura de incentivos [no mundo dos negócios] está equivocada: é algo como 'contrate o robô, demita o ser humano e não olhe para trás'”, afirmou o cofundador da Microsoft, ao resumir essa lógica em entrevista ao The Observer.
Para ele, os governos precisarão encontrar novas fontes de arrecadação para financiar a proteção social e a requalificação dos profissionais afetados. Na avaliação do empresário, a substituição poderá atingir tanto atividades intelectuais quanto o trabalho físico, com o avanço dos robôs humanoides.
Para enfrentar a transição, ele defende tributar o uso da IA e ampliar a cobrança de impostos sobre bilionários. O desafio, afirmou, será financiar proteção social, educação e requalificação diante de uma possível queda de receitas públicas, mesmo com o aumento da prosperidade.
Em texto publicado em agosto no Gates Notes, o empresário já havia defendido reservar determinadas atividades aos seres humanos. Citou como exemplo os profissionais que cuidaram de seu pai, que tinha Alzheimer, para argumentar que algumas funções devem preservar o contato humano mesmo quando sua automação se tornar tecnicamente possível.
Na mesma publicação, Gates manifestou preocupação com a redução das oportunidades de entrada no mercado. Segundo ele, a pressão competitiva pode acelerar a automação: quando uma empresa reduz custos com IA, suas concorrentes passam a ter mais incentivos para seguir o mesmo caminho.
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