Contra uso de robôs humanoides, trabalhadores coreanos decidem fazer greve

Contra uso de robôs humanoides, trabalhadores coreanos decidem fazer greve

Fonte: Bandeira



Robô humanoide Atlas, da Boston Dynamics

Divulgação/Boston Dynamics

Funcionários da Hyundai na Coreia do Sul decidiram entrar em greve devido ao temor de que possam ser substituídos por robôs humanoides. Os trabalhadores, filiados ao Sindicato dos Metalúrgicos da Coreia, querem ter o direito de participar das decisões sobre qualquer iniciativa de automação e implantação de inteligência artificial, segundo o Financial Times. Eles também reivindicam o pagamento de um bônus equivalente a um terço do lucro anual da montadora, o que corresponderia a aproximadamente US$ 27 mil (R$ 149 mil) para cada um dos 73 mil funcionários da empresa.

"Estamos preocupados com nossos empregos", disse um integrante do sindicato ao Financial Times. "As notícias e os vídeos mostrando que os robôs estão se tornando mais habilidosos deixam os trabalhadores apreensivos em relação ao futuro."

A preocupação dos metalúrgicos tem fundamento. Em janeiro, a Hyundai anunciou que começará a utilizar os robôs humanoides Atlas, desenvolvidos por sua subsidiária Boston Dynamics, em sua fábrica no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, a partir de 2028.

Na ocasião, o sindicato declarou que "nenhum robô que utilize novas tecnologias" seria aceito sem um acordo prévio com os trabalhadores. No entanto, em maio, a Hyundai revelou a investidores a real dimensão de seus planos: a montadora pretende usar 25 mil robôs humanoides em suas fábricas de veículos.

De acordo com a Hyundai, os robôs serão responsáveis apenas por tarefas pesadas e perigosas que os trabalhadores não desejam realizar. O sindicato, porém, rebate que a iniciativa provocará demissões.

O pedido de um bônus elevado ocorre em um momento em que funcionários de outros grandes conglomerados industriais sul-coreanos, como a Samsung, negociaram bonificações expressivas após os lucros extraordinários gerados pela inteligência artificial.

"Acho que o sindicato entende que muitas de suas reivindicações são pouco realistas", afirmou Kim Pil-soo, professor de engenharia automotiva da Universidade Daelim, ao Financial Times. "Mas os trabalhadores sentem uma certa injustiça depois que os funcionários da Samsung receberam bônus maiores."

Os robôs humanoides estão começando a ganhar espaço em ambientes de trabalho reais. No mês passado, a Japan Airlines anunciou que passará a utilizar robôs para o manuseio de bagagens no Aeroporto de Haneda, em Tóquio, um dos mais movimentados do mundo. Já os Correios estatais da China começaram a empregar robôs humanoides na triagem de correspondências.

As montadoras também estão aderindo à tendência. A BMW, por exemplo, está testando robôs humanoides em sua fábrica de Leipzig, na Alemanha. Um executivo da empresa chegou a afirmar que essa tecnologia representa "o futuro da produção automotiva".