O presidente da Eneva, Lino Cançado, afirmou que a empresa continua vendo oportunidades em futuros leilões de disponibilidade de energia, como o realizado em março deste ano, no qual sagrou-se como o maior vencedor, com 5,4 gigawatts (GW) contratados na ocasião.
“Havendo mais leilões, estamos preparados”, afirmou durante painel no evento Minuto Mega Talks, promovido pelo veículo setorial Mega What, em São Paulo.
De acordo com o executivo, o ideal é que estes leilões, que contratam a disponibilidade das usinas para entregar energia conforme demanda do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ocorram com maior frequência e, consequentemente, sejam menores.
O leilão de março repercutiu por conta do montante contratado, foram adquiridos cerca de 19 GW em capacidade de 100 empreendimentos que custarão ao longo da contratação, que pode chegar a 15 anos, R$ 515,7 bilhões.
A expectativa é que ele tivesse sido realizado anos antes, mas judicializações e outros embates atrasaram o cronograma.
De acordo com o executivo, a empresa foi capaz de vencer tal montante por conta da antecipação de aquisição de equipamentos, dado o mercado internacional aquecido, o aumento de capital feito um ano e meio antes, além da contratação de mão de obra em especial para os times de engenharia, construção e montagem.
Cançado questionou ainda a mobilização da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para que terceiros tenham um acesso negociado aos terminais de gás natural liquefeito (GNL).
“Não pode querer regular uma coisa que já está regulada, regular o arroz e feijão.
Vira uma economia totalmente regulada onde se define preço de tudo e interfere em agentes que estão negociando entre si qual é o valor justo”, afirmou.
Na visão do executivo, existe um mercado para os terminais, nos quais a companhia já atua, e isso precisa ser considerado.
“Você vai desincentivar quem quer fazer um investimento e construir um terminal sabendo que depois pode ter uma interferência regulatória e você não poder usar da forma como havia idealizado no seu plano de investimento”, disse.
O executivo afirmou não se trata de um debate sobre judicialização, mas um posicionamento diante de um debate que ainda está em andamento.
Questionado sobre a possibilidade de antecipar a entrega de projetos contratados no leilão de disponibilidade de energia realizado em março, Cançado afirmou que os prazos já são bastante estreitos de modo que esta antecipação “não está no horizonte” da companhia.
Lino Cançado, diretor de operações da Eneva
Divulgação/Eneva
