Conta gov hackeada, procurações falsas e prejuízo de R$ 12 milhões: quadrilha vendeu terrenos de luxo sem donos saberem em Jurerê, SC

 

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A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou nesta quarta-feira a “Operação Real State” para desarticular uma associação criminosa interestadual especializada em fraudes imobiliárias de alto padrão. O grupo é suspeito de vender ilegalmente cinco terrenos de luxo em Jurerê Internacional, em Florianópolis, causando prejuízo estimado em R$ 12 milhões.

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Até a tarde desta quinta, quatro pessoas haviam sido presas em Fortaleza e em Roraima. Outros investigados são considerados foragidos. Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão em sete municípios de cinco estados.

De acordo com as investigações da Delegacia de Combate a Estelionatos do Departamento de Investigações Criminais (DCE/DIC), o esquema envolvia fraude digital e falsificação de documentos para viabilizar a venda dos imóveis sem o conhecimento dos proprietários.

Segundo o delegado Osmar Carraro Júnior, ao site NSC, o golpe começou com o hackeamento da conta Gov.br de uma das vítimas. A partir do acesso indevido, os criminosos incluíram o proprietário no quadro societário de uma empresa “fantasma”. Em seguida, transferiram o terreno para o capital social da empresa e realizaram a venda para terceiros, em tese de boa-fé. Outros quatro terrenos foram negociados por meio de procurações falsas, supostamente emitidas por um cartório em Pacatuba, no Ceará, que também é alvo de investigação.

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Os imóveis eram ofertados por valores abaixo do mercado para atrair compradores. Após o pagamento, o dinheiro era pulverizado em contas bancárias de “laranjas” e posteriormente transferido a operadores do esquema, principalmente no Ceará, dificultando o rastreamento dos valores.

A operação contou com apoio do Ciberlab, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, e com a colaboração das polícias civis do Amazonas, Ceará, Maranhão, Goiás e Roraima. As ações ocorreram em Boa Vista (RR), Brejo de Areia (MA), Caucaia e Fortaleza (CE), Manaus (AM), Goiânia e Trindade (GO).

Os investigados poderão responder por estelionato eletrônico, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem chegar a 21 anos de reclusão, além de multas. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e dimensionar a extensão do esquema.