Consumo da água controlado pela IOT: o projeto que tirou o 2º lugar no Prêmio Jovem Cientista no Ensino Superior
No sertão cearense, onde a água é recurso estratégico e escasso, o estudante Isac Diógenes, de 22 anos, decidiu transformar inquietação em tecnologia. Graduando em Tecnologia em Redes de Computadores pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), ele criou um sistema de monitoramento do fluxo de água baseado em internet das coisas (IoT) e de baixo custo.
O projeto, intitulado Water Flow — Solução para Monitoramento do Consumo de Água em Cenários de Escassez, garantiu ao jovem o segundo lugar na categoria Estudante do Ensino Superior da 31ª edição do Prêmio Jovem Cientista.
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Morador de Jaguaribe, na Caatinga cearense, Diógenes viu de perto os desafios da segurança hídrica. A ideia ganhou ainda mais força após um desvio ilegal no curso do Rio Jaguaribe, em 2024, que comprometeu o abastecimento da cidade. Segundo ele, na gestão tradicional do abastecimento, em que as medições costumam ser manuais e esporádicas, não há rigor no controle do fluxo. A falta de dados em tempo real impede a detecção rápida de vazamentos, dificulta o combate ao desperdício e limita a formulação de estratégias para otimizar o consumo de forma mais consciente.
— A criação de ferramentas tecnológicas acessíveis, precisas e de baixo custo não é apenas uma inovação, mas uma necessidade urgente para garantir a resiliência e a sustentabilidade das comunidades do sertão — argumenta.
O protótipo integra três softwares autorais a um hardware composto por microcontrolador, sensor de fluxo e regulador de tensão, conectados via Wi-Fi. Uma API transforma os dados coletados em informações exibidas em aplicativo de interface simples. Testado em laboratório e com custo aproximado de R$ 100, o sistema foi pensado para ambientes hidráulicos de pequeno porte — de residências urbanas a propriedades rurais — ,ampliando o controle do consumo e incentivando o uso racional da água.
O interesse de Diógenes pela tecnologia surgiu ainda no ensino médio, quando, trabalhando em um escritório, ouviu que a automação substituiria postos de trabalho. Decidiu então “desenvolver a tecnologia em vez de ser substituído por ela”. Incentivado por professores e integrado ao Grupo de Pesquisa em Informática Aplicada, Redes e Telecomunicações, amadureceu a proposta que agora pretende testar em campo.
— Meu plano para o projeto, atualmente, é patenteá-lo e iniciar sua comercialização. Com iniciativa privada ou governamental, conseguirei consolidar a tecnologia e, enfim, entregá-la ao consumidor — conclui.
