Consórcio da Zetta infraestrutura e mais quatro empresas vence leilão para construir Novo Centro Administrativo

 

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O governo escolheu o consórcio Consórcio MEZ-RZK Novo Centro, formado pelas empresas Zetta infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK empreendimentos Imobiliários e Iron Propert para tocar o projeto do Novo Centro Administrativo, que visa a transferir a sede da gestão estadual do Morumbi para os Campos Elíseos, no Centro da capital paulista. As empresas irão construir e gerir o complexo por 30 anos, e o investimento total será de R$ 6 bilhões, divididos entre iniciativa privada e pública.

O consórcio deu uma proposta de 9,62% de desconto sobre a contraprestação mensal, que estava prevista em torno de R$ 76,59 milhões por mês — o que totaliza cerca de R$ 69,2 milhões por mês de contrapartida.

A nova sede foi uma promessa de campanha do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o projeto passou por diversas modificações até enfim sair do papel. A expectativa é que a mudança de endereço seja realizada em 2030.

Na segunda, dois consórcios haviam apresentado propostas para construir o complexo, por meio de Parceria Público Privada (PPP). A outra proposta foi do consórcio formado pela Acciona e pela Construcap, que ofereceu um desconto de 5%.

A Zetta Infraestrutura chegou a vencer a concessão do Parque Dom Pedro II, também na Região Central, mas acabou inabilitada. Com isso, a RZK Empreendimentos, outra integrante do consórcio vencedor nesta quinta, ficou com a concessão. A RZK é dona do Reserva Raposo, um dos maiores condomínios residenciais de São Paulo, enquanto a Engemat é uma empresa de engenharia.

Com o custo de R$ 6 bilhões divididos entre o estado e a iniciativa privada, o complexo terá sete edifícios, praça, área de 25 mil metros quadrados para comércios, e incluirá também o restauro de 17 edifícios tombados e a remoção do Terminal Princesa Isabel. O espaço, que hoje atende 16 linhas de ônibus, deverá ser substituído por um outro a ser construído ao lado da Estação da Luz.

O governo estadual estima aportar R$ 3,4 bilhões no projeto, e o restante do recurso para a construção será desembolsado pelo consórcio. A contraprestação começará a ser paga quando os prédios começarem a funcionar.

O novo centro vai reunir 22 mil funcionários, que hoje estão espalhados por 40 edifícios em várias regiões da cidade. A concessionária vencedora ficará responsável pela gestão administrativa e manutenção do estado, e também pela destinação dos espaços comerciais que haverá no complexo.

— Campos Elíseos foi o primeiro bairro organizado de São Paulo, projetado por dois engenheiros alemães. Esse projeto urbanístico vem para recuperar a estrutura do passado e construir um projeto urbanístico moderno com construções para abrigar toda a estrutura de governo com 22 mil funcionários, recuperando essa região que estava entregue nas mãos da Cracolândia e do crime organizado — explica o secretário de Projetos Estratégicos de São Paulo, Guilherme Afif, escalado para conceber e liderar o Novo Centro Administrativo desde o início.

Ele garante que o espaço não será uma ilha na região, pois todos os prédios terão fechadas ativas para serviços e comércios — e compara o projeto ao Conjunto Nacional, icônico espaço multiuso na Avenida Paulista.

O desenho arquitetônico do complexo foi produzido pelo escritório Ópera Quatro, após um concurso realizado pelo governo em 2024. O arquiteto Pablo Chakur, que liderou o projeto, afirma que se inspirou em “referências internacionais de requalificação urbana e concentração de edifícios públicos em áreas consolidadas da cidade, como por exemplo a Potsdamer Platz, em Berlim, que transformou uma área fragmentada em um novo polo institucional e urbano integrado com edifícios corporativos e espaços públicos qualificados”. A intenção foi evitar que o complexo virasse um “enclave fechado”. A empresa que vencer a licitação terá que seguir o projeto urbanístico escolhido no concurso.

— O projeto privilegia a permeabilidade física e visual, com térreos ativos, praças abertas ao público, conexões com o sistema viário existente e integração com o transporte coletivo. A proposta considera a escala do bairro dos Campos Elíseos, respeitando o entorno e criando frentes urbanas qualificadas, com usos que extrapolam o expediente administrativo, estimulando fluxo constante de pessoas. A ideia é que o conjunto funcione como extensão do tecido urbano, e não como barreira — explica.