O Consórcio Águas do Paraná foi declarado vencedor da licitação para construir e alugar à Sanepar a infraestrutura de um sistema integrado de abastecimento no norte do Paraná. A proposta prevê pagamentos mensais de R$ 9 milhões durante 18 anos, que somam cerca de R$ 1,95 bilhão.
Esse valor não corresponde ao custo estimado das obras. O edital calcula em R$ 679 milhões a referência para a construção do sistema.
A diferença decorre do modelo escolhido: o consórcio fará as obras e, depois, receberá pagamentos pelo aluguel dos ativos. A Sanepar ficará responsável pela operação.
Continua após a publicidade A proposta foi a única apresentada.
Por isso, não houve disputa de lances entre concorrentes. O resultado ainda depende da análise dos documentos de habilitação do consórcio e está sujeito a recurso, segundo informações divulgadas após o leilão.
Sistema atenderá três municípios na primeira etapa A primeira fase do Sistema de Abastecimento Integrado do Norte do Paraná (SAINP) prevê obras para ampliar e conectar o fornecimento de água em Apucarana, Arapongas e Rolândia.
Continua após a publicidade O projeto inclui duas captações: uma no Ribeirão Apertados, com capacidade de 400 litros por segundo, e outra no Rio Taquaras, de 800 litros por segundo.
Juntas, poderão fornecer 1.200 litros por segundo. Também estão previstas uma nova estação de tratamento de água, uma unidade para tratar o lodo gerado no processo e a ampliação do reservatório Papa-Piri, em Arapongas, que ganhará 4 milhões de litros de capacidade.
Continua após a publicidade O plano também prevê 89 quilômetros de tubulações para transportar água entre os sistemas.
A integração deve permitir que as cidades compartilhem o abastecimento, uma estratégia para reduzir a dependência de fontes locais quando houver problemas de captação ou períodos de estiagem. A necessidade de reforçar o sistema aparece em registros recentes de interrupções.
Em Apucarana, a Câmara Municipal pediu esclarecimentos à Sanepar em 2025 após relatos de falhas frequentes no fornecimento. Continua após a publicidade
No mesmo ano, a companhia informou que problemas operacionais, calor e consumo acima da média afetaram a distribuição em alguns períodos. Pagamentos começam após a conclusão das obras
O contrato terá duração de 20 anos e seis meses. O consórcio poderá levar até 30 meses para executar as obras; os pagamentos de aluguel estão previstos para uma etapa posterior, com 216 parcelas mensais.
Ao fim do contrato, os ativos serão incorporados à Sanepar. A proposta vencedora ficou cerca de 3% abaixo do teto mensal previsto no edital, de R$ 9,31 milhões.
Como houve apenas uma oferta, porém, esse desconto não resultou de uma disputa direta entre empresas. Continua após a publicidade
O modelo de locação de ativos transfere ao contratado a construção da infraestrutura e prevê que a estatal assuma a operação do sistema. O projeto completo do SAINP poderá ser ampliado futuramente para Londrina e Cambé.
Essa etapa mais ampla tem capacidade projetada de 5,5 metros cúbicos por segundo e potencial para atender até 1,54 milhão de pessoas. Esses números dizem respeito ao plano total, e não apenas às obras licitadas agora, que começam pelos três municípios da primeira fase
Publicidade
Notícias Veja