Considerado desleal por EUA, Pix é cobiçado por países da Ásia, da América Latina e da África
Criticado pelos Estados Unidos por, na visão americana, comprometer a competição justa no mercado de pagamentos global, o Pix tornou-se uma referência global e é cobiçado por países da Ásia, América Latina e África.
Classificado “campeão nacional” pela gestão Donald Trump, o Pix já virou produto de exportação e serviu de base para a implementação do sistema de pagamentos em tempo real da Colômbia, o Bre-B, que está em plena operação desde outubro de 2025.
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O interesse no Pix, que conquistou os brasileiros a ponto de ser considerado hoje pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva um patrimônio nacional, é crescente. Só no ano passado, representantes do Banco Central brasileiro registraram na agenda interações com mais de 15 delegações sobre o sistema de pagamentos instantâneos criado em 2020.
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Estão na lista África do Sul, Panamá, Marrocos, Nigéria, Namíbia, Paraguai, Tailândia, Gana, Aruba, Moldávia, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Japão, Bahrein, Trinidad e Tobago e Burkina Faso. É citada ainda a procura de Uruguai, Argentina, Chile e China. Nem todos os países querem replicar o Pix, mas há uma demanda também por integração de sistemas de pagamento rápido para facilitar transferências internacionais.
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O Pix foi citado como uma das políticas brasileiras que afetam o comércio americano no relatório final da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês). Como consequência, o USTR recomendou a adoção de uma tarifa de 25% sobre as exportações brasileiras aos EUA, com exceções.
O governo Trump afirma que as políticas brasileiras favorecem o Pix em detrimento das empresas americanas na competição nos serviços de pagamento eletrônicos. Segundo a conclusão da investigação comercial, o papel duplo do Banco Central como regulador e operador do Pix cria um “conflito de interesses”. Para o órgão, as ações relacionadas ao Pix representam um ônus ou restrição ao comércio dos EUA porque impõe custos às empresas do setor de pagamentos do país e as forçam a promover o concorrente brasileiro, sem compensação.
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Em resposta, o governo brasileiro afirma que o Pix é gratuito, público e de grande aceitação pela população, Além disso, diz que suas regras se aplicam de forma uniforme e neutra e que as empresas norte-americanas participam ativamente do ecossistema. Outro argumento apresentado é de que o Brasil é o segundo maior mercado mundial das duas principais redes de cartão de crédito dos EUA.
Segundo interlocutores brasileiros, pressões de empresas de cartão dos EUA e do setor de stablecoins contribuíram para a investigação contra o Pix e para as conclusões negativas sobre o favorecimento do Banco Central ao meio de pagamento. De acordo com essas pessoas, a intenção do lobby é mudar a natureza gratuita e pública do Pix e evitar que o modelo seja adotado por outros BCs pelo mundo, movimento que vem sendo identificado pelas empresas que se sentem prejudicadas pelo sistema de pagamentos brasileiro.
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Há preocupação ainda da Casa Branca sobre o efeito que sistemas de pagamentos instantâneos podem ter sobre o poder do dólar no sistema financeiro global. Isso pode reduzir também a posição dominante de stablecoins e cartões de crédito em pagamentos transfronteiriços. Autoridades do governo brasileiro afirmam, inclusive, que as stablecoins já são usadas para pagamentos dentro de países que não têm meios de pagamento como o Pix.
O governo brasileiro não vê chance de intervenção americana, mas acreditam que a citação ao Pix é uma forma de “coerção”. Em participação em um evento em Goiás nesta terça-feira, Lula disse que a proposta de novo tarifaço foi baseada em uma “mentira”.
— De forma intempestiva, anunciaram o aumento da taxação das coisas brasileiras para 25%. Com base numa mentira. A preocupação dos americanos é que o Pix possa abalar muito as chamadas empresas de cartão de crédito deles — disse Lula.
O ministro do Comércio, Indústria e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o Pix não está na mesa de negociação.
