Consagrado como violonista e arranjador, Paulo Aragão lança seu primeiro álbum de composições
Paulo Aragão era um dos melhores alunos de sua turma, no colégio, e se destacava especialmente em matemática. Poderia ter feito, por exemplo, engenharia.
— Nunca passou pela minha cabeça — diz.
De 10 para 11 anos, começou a mexer no violão, apaixonou-se pelo instrumento e por música (popular e clássica, que gravava do rádio em fitas cassete) e escolheu o seu caminho, com apoio da família. Não se sabe o que a engenharia perdeu, mas a música ganhou um violonista e arranjador já consagrado, que vem trabalhando com Mônica Salmaso, Edu Lobo, Francis Hime e Guinga.
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Agora, aos 50 anos completados este mês, ele mostra um lado que tinha pouca luz em sua trajetória: o de compositor. O álbum “Choros líricos e sentimentais”, com 13 criações suas, chega hoje às plataformas de áudio e é lançado com shows hoje e amanhã, às 19h, na Casa do Choro, no Centro do Rio.
— Eu tinha dificuldade de priorizar esse lado no meio da rotina maluca de violonista, arranjador, professor. Mas também tinha uma espera por um momento, vamos dizer, de maior maturidade. Eu achava que precisava esperar para fazer um trabalho mais robusto, coerente — explica.
Ele conta que já compunha antes dos 20 anos. Mas um fato que lhe deu maior confiança aconteceu em 2008, quando sua “Fantasia popular” para violão (Yamandu Costa) e orquestra estreou no Theatro Municipal do Rio.
Em 2009, criou “Choro de outono”, a peça mais antiga do álbum que sai agora. As mais recentes são de 2024.
— É a ideia de um panorama, um álbum de viagem desse período. São coisas representativas desses anos todos — diz ele. — Predominaram os choros mais lentos porque eles predominam na produção. A escolha foi um retrato.
Ábum 'Choros líricos e sentimentais'
Divulgação
O título “Choros líricos e sentimentais” deriva desse clima, aproveitando que existe um “Choro lírico” — com participação do Maogani, o quarteto de violões do qual Aragão faz parte há três décadas — e um “Choro sentimental”, composto em 2020 para o pianista Cristovão Bastos, que participa da faixa.
Surpresa são três temas (um choro e duas valsas) para violão solo, algo que ele começou a fazer apenas nos últimos anos. E também há uma canção, outra raridade. “Choro no fim do mundo”, cuja melodia foi composta na Patagônia chilena durante uma turnê com Mônica Salmaso, ganhou letra de Roberto Didio e interpretação de Mônica no álbum.
— O Paulo é aquele parceiro de trabalho que todo mundo quer — afirma a cantora. — Talentoso, craque, confiável, inteligente, paciente, seguro. Toca bonito, escreve lindos arranjos. Estava demorando para ele fazer um trabalho autoral, e o trabalho chegou agora, lindo, como todos sabíamos que seria.
Mônica e Aragão fazem, desde 2018, um show de sambas de Wilson Batista. Na pandemia, fizeram uma live interpretando apenas músicas de Edu Lobo. Foi a senha para Edu chamá-lo para tocar violão em seu álbum duplo de 80 anos e em vários de seus shows.
— Fiquei muito impressionado com o nível de músico que ele é — conta Edu. — Não só pela execução do violão, mas pelo que ele conhece de música. É nível 1. Tem um violão muito rico. As composições dele só podem ser boas.
Quando estudou na UFRJ, nos anos 1990, a faculdade era de música clássica, ainda não havia popular. Ele diz que isso foi importante para que aprendesse muito sobre escrita musical. Hoje, já tem cerca de 700 arranjos.
— O Guinga foi o cara que falou: “Os arranjos são lindos, você é um arranjador.” Ele tem uma importância enorme na minha carreira — ressalta Aragão, lembrando que em 1999, aos 23 anos, já assinou arranjos para um disco de Guinga.
Em 2006, transpôs as composições do amigo para a Filarmônica de Los Angeles tocar, regida por um importante maestro americano, Vince Mendoza.
— Paulo é um espartano com a música, vê ponto a ponto, faz um crochê. É um bordador, muito cuidadoso, um perfeccionista — exalta Guinga.
Um dos trabalhos que realizaram juntos foi “Francis & Guinga”, álbum de 2013 dividido com Francis Hime. Aragão tem produzido os últimos discos do pianista, cantor e compositor.
— Paulo é um ótimo produtor, muito organizado, perfeito — diz Francis, que já escutou parte das composições de Aragão. — Achei muito bonitas as músicas que eu ouvi, como o “Choro sentimental”. Isso não me surpreende, porque ele é um músico maravilhoso e um grande arranjador.
Outra referência, Sergio Assad, do Duo Assad, inspirou a “Valsa seresteira nº 2, sobre o nome de Sergio Assad”. E referências também são os grandes músicos com quem costuma tocar, a começar por Mauricio Carrilho, Luciana Rabello e Jayme Vignoli, seus colegas na direção da Casa de Choro. Também participam do álbum, entre outros, Nailor Proveta, Toninho Carrasqueira, Teco Cardoso, Rui Alvim, Aquiles Moraes, Cristiano Alves, Pedro Paes, Marcus Thadeu, Marcílio Lopes, Jorge Helder e o irmão Pedro Aragão.
