Conheça Tota Magalhães, destaque do ciclismo brasileiro em campeonatos internacionais: 'Ainda somos poucas'
Às vésperas de mais uma participação na Vuelta da Espanha, uma das principais provas do ciclismo mundial, a brasileira Tota Magalhães chega a um marco importante: sua quinta presença na competição, consolidando uma trajetória construída com consistência no cenário internacional. Mas, no caso dela, a história começa muito antes da linha de largada.
Nascida no Rio de Janeiro, Tota cresceu em uma família onde a bicicleta sempre esteve presente. Eram mais de 20 ciclistas entre tios, primos e avós. Foi em um “Pedal de Natal”, promovido pela própria família, que o esporte deixou de ser apenas lazer e passou a ocupar um lugar central na sua vida.
A partir dali, o que começou de forma despretensiosa evoluiu rapidamente. Ainda na adolescência, iniciou sua trajetória competitiva e se destacou nas categorias de base, acumulando títulos nacionais e abrindo caminho para uma carreira internacional.
Antes de alinhar entre as melhores atletas do mundo, Tota precisou aprender a sustentar uma escolha que nem sempre parecia óbvia: sair do Brasil para construir carreira em um esporte com pouca tradição no país e quase nenhuma referência feminina no circuito global.
“Sair do Brasil foi uma decisão difícil, porque eu sabia que estava deixando muita coisa pra trás. Mas ao mesmo tempo, era o único caminho possível se eu quisesse entender até onde eu podia chegar no ciclismo” relembra a atleta.
Baseada na Europa e com passagens por equipes como Soltec Team, Bizkaia-Durango e BePink-Bongioanni, Tota construiu sua trajetória em um dos ambientes mais exigentes do esporte. Em 2025, deu um passo decisivo ao ser contratada pela Movistar Team, uma das principais equipes do ciclismo mundial, consolidando sua presença definitiva no circuito de elite. No mesmo ano, também se tornou a primeira brasileira a competir no Tour de France Femmes, marco inédito para o ciclismo nacional.
Por trás desse avanço, existe uma rotina que vai além dos treinos e das provas. A adaptação cultural, a distância da família e a construção de uma carreira fora do país transformaram o desafio físico em algo maior, exigindo também resistência emocional. Parte dessa preparação acontece em altitude, em lugares como Andorra, onde a disciplina e a constância são levadas ao limite.
“Teve momentos em que duvidei de mim, sim. Principalmente no começo, quando tudo era novo e os resultados demoravam. Mas, no fundo, sempre teve uma vontade maior de continuar e ver até onde isso podia dar”, complementa Tota.
Dona de um estilo agressivo, espírito combativo e versatilidade nas montanhas, Tota passou a se destacar também no cenário internacional, com participações consistentes em provas como o Giro d’Italia Women e a Vuelta a Andalucía.
Sua presença frequente nas principais competições ajuda a consolidar um movimento ainda recente: o de atletas brasileiras que começam a ocupar espaço de forma contínua no ciclismo global. Mais do que um avanço individual, sua trajetória carrega um significado coletivo. Em um esporte historicamente dominado por europeus, estar ali é também abrir caminho para outros nomes que virão.
“Ser brasileira aqui fora tem um peso especial, porque ainda somos poucas. Mas eu vejo muito mais como uma oportunidade de abrir caminho do que como uma pressão”, conclui.
