Conheça o novo hotel de Milão que já está no radar dos apaixonados por design

 

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A ideia é que a Casa Brera seja um lar temporário, e não um hotel”, explica a arquiteta Patricia Urquiola, que assina o projeto de interiores do novo endereço em Milão, a poucos passos do Teatro alla Scala. A marca de Urquiola está em todos os detalhes, da seleção de mármores ao desenho quadriculado dos tapetes — uma conversa direta com as janelas do edifício racionalista, projetado em 1950 por Pietro Lingeri, ícone da arquitetura moderna italiana.

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O bar de mármore: local de encontros

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“A ideia não era fazer algo nostálgico, mas criar um espaço contemporâneo que não saísse de moda”, afirma a arquiteta. “A experimentação de materiais, cores e texturas permite que o espaço pulse como algo vivo e atual. Em vez de reproduzir símbolos milaneses óbvios, o projeto trabalha com a atmosfera, proporção e cultura.”

O tapete com desenho geométrico: diálogo com a fachada racionalista

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Nos ambientes, um mix de móveis que a arquiteta desenhou para marcas como Cassina, Moroso e Andreu World e ícones do design italiano. O resultado é uma corrida dos fãs de Urquiola para visitar o hotel, que tem 116 quartos (com diárias a partir de R$ 4.700) e restaurantes abertos ao público como o italiano contemporâneo Scena, o japa Odachi e o Etereo, rooftop com vista panorâmica da cidade.

Rooftop com vista especial: localização no coração de Milão

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“O bar tem sempre bons encontros”, comenta a empresária brasileira Esther Schattan, sóciafundadora da Ornare, que tem loja em Milão. “Mas ainda encontro poucos brasileiros por lá”. Questão de tempo.

Cadeiras, mesa e aparador são assinados pela arquiteta: cores fortes

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Confira a entrevista exclusiva de Patricia Urquiola com ELA:

Qual foi o conceito central do projeto Casa Brera? Tudo começou com a consciência de que estávamos intervindo em um edifício assinado por Pietro Lingeri. Essa percepção moldou cada decisão. Nossa ideia não era fazer algo nostálgico, mas criar um espaço contemporâneo que não saísse de moda. Aproveitamos o rigor e a clareza das linhas do edifício (o tal estilo racionalista) como o esqueleto do interior. A partir daí, o projeto se abriu para a experimentação de materiais, cores e texturas, permitindo que o espaço pulsasse como algo vivo e atual, em vez de ficar congelado em sua imagem histórica.

De que maneira o projeto dialoga com a cidade de Milão e seu patrimônio cultural e arquitetônico? Milão está na Casa Brera de um jeito discreto, mas onipresente. A arquitetura racionalista faz parte da história moderna da cidade, e o edifício de Lingeri carrega essa memória com muita nitidez. Em vez de reproduzir símbolos milaneses óbvios, o projeto trabalha com a atmosfera,proporção e material cultural. O uso das pedras e dos desenhos geométricos refletem em um pensamento milanês sobre o design.

Quais ideias guiaram a seleção do mobiliário? Houve peças feitas sob medida? O mobiliário foi pensado como parte de uma narrativa doméstica. A ideia é que a Casa Brera seja sentida como um lar temporário, e não como um hotel. Por isso, misturamos peças de coleções que desenhei para marcas como Cassina, Moroso e Andreu World com ícones da história do design italiano. Vários elementos foram desenvolvidos sob medida para adaptar proporções e acabamentos aos espaços. Os tapetes, por exemplo, têm um papel fundamental: não são meros adornos, mas elementos arquitetônicos que definem o ritmo e o movimento, muitas vezes inspirados na geometria da fachada e reinterpretados em uma linguagem mais fluida.

Estrela da arquitetura, Patricia Urquiola assina o projeto da Casa Brera

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Quais tipos de mármore foram utilizados e qual a razão dessas escolhas? A seleção de mármores e pedras foi tratada com o mesmo cuidado que em um projeto residencial. Utilizamos materiais italianos, como o Verde Alpi, Breccia Damascata, Trambisera, Verde Antigua, Peperino, Fior di Pesco, Arabescato Orobico Rosso e Portoro Arancio di Selva. São pedras profundamente ligadas à cultura arquitetônica da Itália e, especificamente, de Milão. Elas trazem uma sensação de permanência e profundidade, enquanto suas combinações permitem criar diversas variações durante o percurso.

Houve desafios específicos na execução deste conceito? O maior desafio foi o equilíbrio. E também, projetar cada espaço com a mesma intensidade. Corredores e áreas de passagem, que muita gente ignora, receberam a mesma atenção que os salões principais. O hóspede tem que sentir a alma do projeto em cada metro quadrado. A Casa Brera é uma engrenagem complexa, mas o meu trabalho é fazer com que tudo pareça simples e sem esforço para quem entra. Fazer com que toda essa complexidade pareça natural e sem esforço é sempre a parte mais exigente do processo.