Conheça a história real de Lizzie Borden, retratada em nova temporada de 'Monstro', da Netflix

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Em 4 de agosto de 1982, a americana Lizzie Borden encontrou o corpo do pai sem vida, Andrew Borden, deitado no sofá, com rosto e cabeça ensanguentados. No cômodo ao lado, também morta, estava a mulher de Andrew, Abby Borden, madastra de Lizzie. Uma semana depois, a moça, descrita por uma reportagem da revista Time da época como "solteirona de 32 anos", foi indiciada. Para a polícia, Lizzie matou o casal Borden. Galeitura: Livro indicado por Gustavo Scarpa vira o mais vendido do Brasil e inspira clube de leitura de atleticanos Museu do Holocausto e Federação Israelita se pronunciam após jovem chamar Diário de Anne Frank de 'vitimista' O assassinato dos Borden é o mais novo capítulo da antologia "Monstro", da Netflix, que estreou nesta quinta-feira. Idealizada por Ryan Murphy e Ian Bremmer, a série reconta casos de criminosos famosos dos Estados Unidos, como Jeffrey Drahmer, os irmãos Lyle e Erik Menendez e Ed Gein. Pela primeira vez, agora em "Monstro: A história de Lizzie Borden", foca numa mulher. Antes da morte, o casal vinha se sentindo mal. Segundo o The New York Times, Abby chegou a consultar um médico e contou suas suspeitas de envenenamento. Andrew, no entanto, achou bobagem ser examinado. Até a empregada da casa estava doente no dia da morte dos patrões. Ela foi a pessoa quem Lizzy chamou quando encontrou o pai sem vida. Segundo a perícia, Abby, de 64 anos, morreu antes de Andrew, de 70. A filha mais velha dele, Emma, não estava em casa neste dia e um hóspede de Andrew, também.

Parte de uma família abastada, Lizzie foi presa sete dias depois das mortes, após algumas contradições em seu depoimento. Ela foi levada a julgamento no ano seguinte, e a cobertura do caso foi uma sensação local e nacional. O advogado da ré defendeu a tese de que sua cliente não seria capaz de dar 18 machadadas na madrasta e 11 no pai, afinal, tinha um comportamento reconhecido como exemplar pela comunidade. Era professora e membro da Women’s Christian Temperance Union, uma instituição de mulheres cristãs que promovia a sobriedade e o Evangelho. A arma do crime nunca foi achada e depoimentos como o de um farmacêutico (de quem Lizzie teria tentado comprar uma substância venenosa, dias antes do crime) e de uma amiga (que disse tê-la visto queimando um vestido dias depois) não fizeram diferença para o caso. Lizzie e seu advogado conseguiram convencer o júri de 12 homens (somente pessoas do sexo masculino era admitidas como juradas na época), de que ela "não era culpada" pela morte do pai e da madastra. No entanto, nenhum outro suspeito foi apontado além dela. Um século depois dos crimes, acredita-se que Lizzie foi mesmo a assassina. Há quem diga que ela nunca teria superado o segundo casamento do pai e relação com a madrasta era considerada péssima. Outros, salientaram que ela e a irmã financeiramente no aperto, embora o pai fosse rico e gastasse muito com a nova esposa.

A falta de respostas concretas já fez com que essa história fosse contada diversas vezes, especialmente na televisão. Em 1975, o filme para a TV "The Legend of Lizzie Borden" rendeu um Emmy para a protagonista, Elizabeth Montgomery. Em 2014, novamente uma produção para a TV, "Lizzie Borden Took an Ax" ("Lizzie Borden pegou um machado"), estrelada por Christina Ricci. Em 2018, foi a vez de "Lizzy", filme com Chloe Sevigny no papel principal e Kristen Stewart, no de Bridget Sullivan, empregada da casa com quem, no filme, Lizzie mantém um relacionamento homossexual. Essa relação, na verdade, apareceu no romance "Lizzie: A Novel: A Chilling Psychological Thriller" ("Um Romance Arrepiante de Suspense Psicológico"), de Evan Hunter, publicado em 1984, em que ele imagina motivações da suposta assassina.

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