Conheça a história da herdeira que participou de roubo de obras de arte para grupo paramilitar irlandês nos anos 1970

 

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Em poucos minutos, um grupo armado entrou em uma mansão, rendeu funcionários e retirou obras de arte diretamente das molduras, sem qualquer cuidado com o valor histórico. A ação, registrada pela BBC, entrou para a história como um dos roubos de arte mais ousados do século 20, e teve como protagonista uma herdeira britânica criada para viver longe de qualquer tipo de crime.

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Rose Dugdale nasceu em 1941 em uma família rica no Reino Unido e foi educada dentro dos padrões da alta sociedade. Apresentada como debutante e formada em filosofia, política e economia pela Universidade de Oxford, ela inicialmente seguiu o caminho esperado para alguém de sua origem.

A partir da década de 1960, Dugdale passou a se aproximar de movimentos políticos de esquerda e a questionar o estilo de vida da elite. Trabalhou com comunidades de baixa renda em Londres e doou grande parte de sua herança.

Nos anos seguintes, seu envolvimento com a causa republicana irlandesa se intensificou, em meio ao conflito na Irlanda do Norte. Antes do roubo de arte, ela já havia participado de uma tentativa de ataque com explosivos após sequestrar um helicóptero, operação que falhou.

O assalto à mansão e o pedido de resgate

Em 26 de abril de 1974, Dugdale integrou o grupo que invadiu a residência de Sir Alfred Beit, na Irlanda. Durante o assalto, o proprietário foi agredido e funcionários foram amarrados enquanto pinturas de artistas como Vermeer, Goya e Velázquez eram levadas.

As obras, de pequeno porte, foram colocadas em um carro e levadas do local. Dias depois, os criminosos exigiram a transferência de integrantes do Exército Republicano Irlandês (IRA) presos na Inglaterra como condição para devolução das peças. O proprietário recusou negociar.

Prisão e condenação

A polícia localizou as obras poucos dias depois, em uma casa de campo no sul da Irlanda. Dugdale foi presa e, no julgamento, declarou-se culpada.

Ela foi condenada a nove anos de prisão por envolvimento no roubo, além de pena adicional relacionada ao sequestro do helicóptero. Durante o período presa, teve um filho e se casou com um de seus cúmplices.

Vida após a prisão

Libertada em 1980, Dugdale passou a viver em Dublin. Segundo pesquisas posteriores, ela continuou ligada a atividades associadas ao IRA, incluindo o desenvolvimento de armamentos.

Rose Dugdale morreu em março de 2024, aos 83 anos. Até o fim da vida, manteve a defesa de suas ações e não demonstrou arrependimento.