Conheça a astrocartografia, ramo da astrologia que propõe ajudar a encontrar seu lugar no mundo

 

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Emprego fixo, bom salário e apartamento próprio. Depois de quatro anos vivendo na Espanha, em 2022, a analista de marketing paraibana Ivana Zaccara sentiu que estava em sua zona de conforto máxima. Precisava de um “chacoalhão”. “A estabilidade me fez querer mudar de vida, e fiquei na dúvida se ia para um país da África ou da Ásia”, relembra ela, aos 36 anos. Intrigada com o desejo de mudança, uma amiga, na época, sugeriu que Ivana conhecesse a astrocartografia, técnica criada pelo norte-americano Jim Lewis na década de 1970, que consiste em cruzar o mapa astral de uma pessoa com o da Terra para apontar como diferentes lugares do mundo podem dificultar ou facilitar objetivos e experiências, do amor à carreira. “Decidi ir para a Índia e fiquei lá por cinco meses. Foi uma temporada maravilhosa. Descobri que três linhas positivas do meu mapa passam por lá.”

Não entendeu? A gente explica: cada pessoa, ao nascer, tem os planetas alinhados em posições específicas. A astrocartografia projeta essas posições sobre o mapa-múndi, criando linhas que cruzam países e cidades. De acordo com especialistas, o globo é cortado por 48 linhas (entre planetas, corpos celestes e estrelas). “Cada planeta possui uma vibração de acordo com as composições naturais. À luz da astrologia, fazemos essa diferenciação levando em conta o que cada um simboliza e como pode influenciar na rotina de alguém que está em determinado lugar”, diz a astróloga Gabriela Luisa. “Além de passar a viajar com propósito e escolher lugares alinhados aos nossos objetivos, ajuda quem emigra a se compreender numa região que não é a sua.”

Para a astróloga Tatiana Grimberg, embora a mudança de país possa trazer novos hábitos, isso não altera quem a pessoa é: “A astrocartografia realoca tendências, e muda como você se relaciona na vida. Mas todos nascem com uma mapa astral definido. Ninguém será ‘outra pessoa’ por estar em um novo destino”. Vale destacar também que a técnica não consiste na famosa revolução solar. “São mapas e leituras diferentes. O da astrocartografia é fixo, a interpretação não muda. O da revolução solar precisa ser feito anualmente, para identificar qual o melhor local para celebrar o aniversário, especificamente.”

De acordo com astróloga Amanda Flores, a linha do Sol na astrocartografia fala de um lugar propício a trabalharmos nossa essência, a nos conectarmos com o que há de mais valioso. Já a linha de Mercúrio remete ao poder de comunicação. “Os locais entrecortados por ela são bons para estudar, aprender línguas, expandir e trocar conhecimento”, explica. A linha de Vênus, por sua vez, passa em destinos mais ligados ao amor, favoráveis para relacionamentos e parcerias; e a de Marte, em pontos que requerem a superação de desafios. “É uma energia mais bélica, de ação, impulso, iniciativa. Em contrapartida, traz irritabilidade e estresse.”

Júpiter traria sorte, abundância, crescimento; Saturno, maturidade, responsabilidade e limites em prol da construção de algo. E Urano explica o imprevisível. “Sabe quando você está num lugar e acontece um monte de coisas que jamais imaginaria? É também um planeta que fala muito de liberdade.” Netuno influencia na ligação com a espiritualidade e na inspiração mais apurada, e Plutão favorece grandes mudanças e o desapego. “Lugares bons para atravessar lutos”, conclui Amanda.

Morando na Holanda há quase uma década, a paulista Flávia Mestriner, de 43 anos, considera emigrar novamente para, quem sabe, fugir da vida estressante do local, onde passa sua linha de Marte. “Quando me aposentar, pretendo voltar para o Brasil, morar no Nordeste, que é onde passam linhas ótimas para mim e meu marido”, diz a designer.

A técnica também orientou a escolha da gaúcha Jordana Cassol, de 34 anos, a deixar de morar na Itália para fincar raízes em Barcelona, em 2024. “Quando surgiu vaga para morar com uma amiga na Espanha, não pensei duas vezes. É o melhor lugar do mundo para viver, de acordo com meu mapa astrocartográfico”, diz a consultora de imagem e estilo.

Para o psicanalista Abilio Ribeiro Alves, no entanto, nenhum lugar é, em si, paraíso ou deserto: tudo depende de como cada pessoa retoma a própria autonomia e a responsabilidade de fazer escolhas. “Não se trata de visões excludentes ou sobrepostas, mas distintas. Na psicanálise, entendemos que as pessoas costumam atribuir acontecimentos e obstáculos a uma instância maior. É uma busca de garantia no outro, quando na verdade tudo depende de nós mesmos.”