O Congresso da Bolívia aprovou nesta sexta-feira (18) um programa de crédito de US$ 1,9 bilhão (R$ 9,8 bilhões) com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que compromete o governo a eliminar todos os subsídios aos combustíveis a partir de janeiro do próximo ano. O Senado aprovou em definitivo o projeto de lei que autoriza o endividamento, "destinado a respaldar o programa integral de reformas econômicas do país", informou a Câmara Alta em comunicado. A iniciativa já havia sido aprovada pelos deputados na quinta (17). Uma equipe técnica do órgão multilateral já havia acordado em julho com o Executivo do país o financiamento de 36 meses para respaldar reformas econômicas, mas a decisão precisava ser ratificada pelo Parlamento. O governo do presidente de centrodireita Rodrigo Paz, que colocou fim a quase 20 anos de governos socialistas liderados por Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025), considera chave este apoio financeiro para superar a pior crise econômica na Bolívia em quadro décadas. Paz celebrou a aprovação. "Estes recursos não pertencem a uma gestão, estão destinados a blindar nossas reservas, estabilizar a economia e abrir oportunidades reais de investimento e emprego", escreveu na plataforma X (antigo Twitter). Moraes e Arce foram críticos do FMI, com o qual não se endividaram. Em 2020, o breve governo transitório da direitista Jeanine Añez contraiu um empréstimo de US$ 327 milhões para enfrentar a pandemia de covid-19, mas Arce logo devolveu o valor com oa rgumento de que era contrário às leis bolivianas. Para conseguir o novo crédito, a Bolívia se comprometeu não só a eliminar por completo todos os subsídios aos combustíveis, mas a reduzir o déficit fiscal, baixar o gasto atual e garantir um tipo de câmbio flexível. Paz fez um duro ajuste em dezembro aos subsídios aos combustíveis, uma política de seus predecessores socialistas que esgotou as reservas de dólares do país e aprofundou a atual crise econômica. No entanto, ele não conseguiu melhorar a economia. A gasolina, o diesel e os dólares ainda estão em falta. Com a aprovação do crédito do FMI, a Bolívia deixa para trás os preços fixos que, segundo o governo, fomentam o contrabando a outros países, a causa da escassez. As tarifas de gasolina e diesel flutuarão com o mercado internacional. Sindicatos de motoristas e de produtores agrícolas, grande consumidores de combustíveis, rechaçaram a medida e ameaçam fazer protestos se não forem escutados. Agora, o governo de Paz espera que a direção do FMI ratifique o crédito no próximo dia 2 de outubro e que, dias depois, se realize um primeiro depósito de US$ 250 milhões, informou Óscar Navarro, vice-ministro do Tesouro. Também se pretende que o acordo ajude a concretizar novos financiamentos com o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e outros organismos multilaterais por cerca de US$ 5 milhões.
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Congresso da Bolívia aprova financiamento de US$ 1,9 bilhão com o FMI e coloca fim ao subsídio para combustíveis
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