Congresso articula derrubada de vetos de Lula a R$ 11 bilhões em emendas
Líderes do Congresso Nacional articulam uma ofensiva para derrubar os vetos do presidente Lula a cerca de R$ 11 bilhões em emendas ao Orçamento. A intenção é pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a pautar uma sessão conjunta logo após o fim do recesso parlamentar, previsto para o início de fevereiro.
No fim de dezembro, o Congresso aprovou o Orçamento prevendo cerca de R$ 50 bilhões em emendas parlamentares e ainda reservou R$ 11 bilhões como despesas do governo que poderiam ser direcionadas conforme indicação de deputados e senadores. Essa fatia foi vetada por Lula, sob o argumento de que parte dos recursos estava ligada ao financiamento de programas sociais em ano eleitoral, como o Gás do Povo e o Pé-de-Meia.
Nos bastidores, lideranças da oposição e também do Centrão avaliam que a reação ao veto será estratégica e ponto a ponto, mas a maioria já trabalha com a expectativa de derrubada. Parlamentares afirmam que o governo tenta preservar espaço fiscal para investimentos e programas, mas consideram o corte elevado demais.
O líder do PDT na Câmara, Mário Heringer, disse à CBN que o governo não terá votos suficientes para manter o veto.
“Vai para plenário, acho que logo no início, e o governo não tem base para bloquear isso, não tem mesmo. É um momento onde a gente vai ver de novo uma derrubada de veto. Eu não tenho dúvida nenhuma que esse veto vai para derrubar e vai ser derrubado”, afirmou.
Segundo ele, a avaliação é compartilhada entre deputados e líderes partidários:
“Estou conversando com várias pessoas, vários deputados, vários líderes, e a vibe é a mesma”.
Além disso, a Frente Parlamentar da Agropecuária, a maior do Congresso, também anunciou que vai articular a derrubada de vetos assim que os trabalhos legislativos forem retomados. O objetivo é garantir previsibilidade para o planejamento da safra.
O Congresso havia aprovado a LDO, classificando a subvenção ao Prêmio do Seguro Rural como despesa obrigatória do governo, o que impediria o contingenciamento desses recursos ao longo do ano. Esse ponto, no entanto, foi vetado por Lula, abrindo a possibilidade de bloqueios — como já ocorreu em 2025.
A expectativa de parlamentares é que a sessão para análise dos vetos ocorra logo na retomada dos trabalhos, prevista para o dia 2 de fevereiro.
