Conglomerado LVHM, do bilionário Bernard Arnault, vende a grife Marc Jacobs

 

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A LVMH, maior conglomerado de luxo do mundo, concordou em vender a marca de moda Marc Jacobs para uma parceria entre a WHP Global e a G-III Apparel Group, em um movimento raro de desinvestimento do grupo francês em meio à desaceleração da demanda global por produtos de luxo.

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Os termos financeiros da operação não foram divulgados. A G-III, empresa americana dona de marcas como Karl Lagerfeld e Sonia Rykiel, informou em documento regulatório que pretende investir até US$ 425 milhões na joint venture, empresa criada em parceria, que dividirá o controle da Marc Jacobs com a WHP Global, companhia especializada em gestão e licenciamento de marcas.

Marc Jacobs, fundador da grife, continuará como diretor criativo da marca, posicionada no segmento conhecido como “luxo acessível”, categoria que reúne produtos mais baratos do que os das grandes maisons tradicionais, mas ainda com forte apelo de exclusividade e design.

A aquisição amplia o portfólio da WHP Global, que já administra marcas como Vera Wang e Rag & Bone. Segundo a empresa, o negócio elevará sua receita anual para mais de US$ 9,5 bilhões.

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Controlada pelo bilionário francês Bernard Arnault, a LVMH, sigla para Louis Vuitton Moët Hennessy, reúne cerca de 75 marcas, entre elas Louis Vuitton, Christian Dior e Loewe. O grupo detém participação majoritária na Marc Jacobs desde 1997.

A venda permite à companhia aproveitar a recuperação recente da marca americana enquanto reduz a exposição ao segmento de luxo acessível para concentrar investimentos em grifes mais sofisticadas e rentáveis.

A Marc Jacobs nunca se encaixou completamente na estratégia tradicional da LVMH, baseada em transformar marcas em referências globais de alto luxo. O grupo já havia adotado movimento semelhante em 2016, ao vender a marca Donna Karan para a própria G-III, após dificuldades para expandir o negócio com rentabilidade.

A Bloomberg já havia informado, em 2024, que a LVMH estudava alternativas para a Marc Jacobs.

As ações da LVMH chegaram a cair 1,8% na Bolsa de Paris nesta quinta-feira e acumulam desvalorização de quase 30% em 2026.

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Marc Jacobs e a Louis Vuitton

Marc Jacobs passou 16 anos como diretor artístico da Louis Vuitton e teve papel importante na transformação da fabricante de malas de viagem em uma potência global da moda de luxo. Durante sua gestão, a marca expandiu sua linha de roupas e realizou colaborações com artistas como Kanye West.

O estilista deixou a Louis Vuitton em 2013 para voltar a focar em sua própria marca, criada em 1984 ao lado do empresário Robert Duffy.

Apesar de a LVMH historicamente priorizar aquisições, o grupo vem sinalizando maior seletividade em relação ao portfólio. No ano passado, a diretora financeira da companhia, Cécile Cabanis, afirmou em conferência com investidores que a empresa não manteria marcas “caso elas deixem de fazer sentido estratégico ou operacional”.

Nos últimos anos, a LVMH também vendeu participações nas marcas Off-White e Stella McCartney.

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Marcas mais exclusivas resistem melhor

O mercado global de luxo perdeu força nos últimos anos, afetado pela desaceleração econômica em diferentes regiões do mundo. As perspectivas de recuperação do setor em 2026 também pioraram após a escalada da guerra no Oriente Médio, que reduziu a demanda regional e aumentou as incertezas econômicas globais.

Nesse cenário, marcas voltadas ao público de altíssima renda, como Loro Piana, especializada em roupas de cashmere de luxo e pertencente à LVMH, e Brunello Cucinelli, têm mostrado desempenho mais resiliente do que marcas de luxo mais acessíveis.

Como parte do acordo, a G-III ficará responsável por operar parte das vendas globais da Marc Jacobs, incluindo o varejo próprio da marca e as operações de atacado, segundo comunicado das empresas.