Confusão ideológica: opositora da Venezuela que deu Nobel a Trump critica acordo elogiado por radical chavista - QTU Questões do Universo

Confusão ideológica: opositora da Venezuela que deu Nobel a Trump critica acordo elogiado por radical chavista

Fonte: Bandeira da fonte

Em um curioso sinal da confusão política e ideológica causada pela intervenção militar dos EUA na Venezuela, a mais notória líder da oposição no país, María Corina Machado, criticou nesta quinta-feira o acordo petrolífero fechado entre Washington e o governo interino de Delcy Rodríguez.
O mesmo acordo, anunciado por Donald Trump na semana passada, foi elogiado por um dos mais radicais líderes do movimento chavista, Diosdado Cabello.
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Em 15 de janeiro deste ano, Machado chegou a entregar a Trump sua medalha do Nobel da Paz, que ganhou em 2024, afirmando que o republicano merecia a homenagem por sua atuação em relação à Venezuela.
Em uma mensagem dirigida aos venezuelanos, Machado disse que o anúncio do acordo provocou “tristeza” e “raiva” no país e afirmou haver dúvidas sobre quem assinou o pacto, suas garantias, a origem dos investimentos e, principalmente, os benefícios para a população venezuelana.

O acordo prevê que a empresa privada North American Blue Energy Partners (Nabep) tenha direitos de exploração de 100 anos sobre 17 campos de petróleo venezuelanos, que somam cerca de 65 bilhões de barris em reservas comprovadas.
Como parte do pacto, a Nabep transferiu ao Escritório de Capital Estratégico dos Estados Unidos uma fatia de 35% de sua controladora.

“Em um país com as dimensões e a fragilidade institucional da Venezuela, nenhum setor poderá funcionar de maneira isolada.
Precisamos que o país inteiro funcione, que as cadeias de valor se integrem, que seja gerada eletricidade suficiente e que haja capacidade operacional nos portos”, disse Machado em um vídeo postado na internet.
“Precisamos de segurança jurídica para os investimentos e de segurança pessoal para a nossa gente.”

“É lógico que exista tanto interesse no potencial de negócios na Venezuela porque não há outro país em que confluam uma imensa abundância de recursos energéticos renováveis e não renováveis, custos supercompetitivos e uma localização geográfica imbatível, distante dos conflitos históricos que afetam outras regiões petrolíferas do planeta”, acrescentou

O posicionamento contrasta com a reação de Cabello, que hoje ocupa o Ministério do Interior do governo de Delcy.

Também em vídeo postado nas redes sociais, Cabello afirmou que “sem dúvida” o documento está “de acordo com as diretrizes do comandante Hugo Chávez” e “a presidente não está fazendo nada que o comandante Chávez não tenha deixado como diretriz”.

“Nós temos o petróleo, mas ele está enterrado.
Enterrado, não nos serve.
Estamos fazendo o que corresponde no âmbito da Constituição e da lei”, prosseguiu.Cabello também criticou a oposição por rejeitar o acordo e apontou uma contradição na postura de seus adversários.

Delcy agradeceu publicamente a Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio, e classificou o acordo como um marco histórico nas relações entre os dois países.
Ela afirmou ainda que o pacto trará investimentos, empregos e receitas para a Venezuela.

Segundo o documento, a participação pode representar “centenas de bilhões de dólares” em valor e dividendos para os EUA.
O pacto também garante ao Departamento de Estado o direito de adquirir, pelo custo de produção, 20% do petróleo extraído de todos os campos atuais e futuros operados pela empresa.
Parte desse volume poderá ser destinada à recomposição da Reserva Estratégica de Petróleo americana.

Washington terá ainda preferência na compra dos outros 80% da produção da Nabep.
Segundo a Casa Branca, o mecanismo pode assegurar aos EUA uma fonte de energia no próprio hemisfério em eventuais situações de emergência.

O governo americano terá, por fim, poder de veto sobre a escolha dos diretores da Nabep, e a maioria dos integrantes da direção deverá ser formada por cidadãos dos EUA.
O acordo será regido pela legislação americana, e eventuais disputas ficarão sob a jurisdição dos tribunais dos EUA.

Machado ainda ressaltou no vídeo que vê os EUA como o principal parceiro da Venezuela para o desenvolvimento de seu potencial energético, mas ponderou que “o patrimônio do nosso solo não pertence a um regime ilegítimo, pertence ao povo venezuelano”, em referência ao governo de Delcy.

Ao falar com jornalistas no Salão Oval na quarta-feira, o presidente Donald Trump afirmou que a Venezuela “ainda não está pronta” para realizar novas eleições.
“Eu simplesmente não acho que eles estejam prontos ainda.
Sabe, é algo muito recente”, disse, em referência à prisão do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças americanas no início de janeiro.
O chefe da Casa Branca também elogiou a relação de Washington com o governo de Delcy Rodríguez e disse que os EUA foram responsáveis por retirar a Venezuela de uma $ ”ditadura muito poderosa e implacável”.
(Com agências internacionais)