'Confusão' e 'consequências amplas': imprensa mundial repercute atraso e problemas de transporte na eleição no Brasil

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Fonte da notícia: Valor Valor

Os problemas no transporte público e a prorrogação do horário de votação no Brasil ganharam destaque na cobertura da imprensa internacional neste domingo (25), em meio à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O The New York Times (NYT) destacou que condições climáticas adversas e atrasos no transporte dificultaram o comparecimento de eleitores às urnas em algumas regiões, levando à extensão da votação por duas horas em todo o país.

"Votação prorrogada no Brasil, onde a corrida presidencial terá consequências abrangentes", publicou o jornal. "Embora a votação tenha sido estendida por todo o país, ainda não está claro se quem chegou à sua seção eleitoral depois das 16h poderá votar", destacou o NYT.

"Algumas seções eleitorais já haviam fechado quando a decisão foi anunciada, o que causou a confusão. Uma vez que uma urna eletrônica contabiliza os votos, as autoridades eleitorais afirmam que pode não ser possível reabri-la para mais votações."

O Financial Times, por sua vez, destacou em sua manchete do site a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter as seções eleitorais abertas por mais duas horas, após reclamações sobre problemas no transporte público em diferentes Estados. O jornal britânico destacou os relatos da campanha de Lula de ônibus retidos nas garagens, redução da frota e restrições à circulação de balsas.

Financial Times repercute atraso no segundo turno das eleições brasileiras Reprodução/Financial Times

Já o britânico The Guardian relacionou a decisão a denúncias de possível supressão de votos em pelo menos dez Estados, onde, segundo o jornal, o transporte público teria sido "severamente limitado". "Alguns suspeitam ter sido uma manobra deliberada para impedir que os eleitores de Lula chegassem aos locais de votação", escreveu o Guardian.

Jornal britânico The Guardian destaca atrasos no segundo turno das eleições do Brasil Reprodução/The Guardian

Na Argentina, jornais como La Nación, Clarín e El Cronista acompanharam de perto a votação no Brasil. O La Nación destacou a “confusão e controvérsia” em torno da prorrogação do horário de votação, anunciada quando muitas seções eleitorais já haviam fechado, às 17h.

Segundo o jornal, eleitores relataram ter chegado às escolas após esse horário e encontrado os locais fechados, pois a ordem para estender a votação não havia chegado a tempo. O jornal argentino também afirmou que a polêmica aumentou após a manifestação do presidente do PT, Edinho Silva, que afirmou que a suspensão do transporte gratuito contrariava a lei e representava uma interferência direta no processo eleitoral.

Após a prorrogação do horário de votação, o La Nación destacou as críticas de Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, à decisão do ministro Cristiano Zanin de prorrogar a votação. Em publicação nas redes sociais, Marinho classificou a medida como “vergonhosa e intempestiva” e acusou o ministro, que foi advogado de Lula, de tumultuar o processo eleitoral.

Jornal argentino La Nación diz que 'confusão e polêmica' causaram prorrogação da votação no Brasil Reprodução/La Nación

Os veículos destacaram o peso internacional da disputa, que poderá influenciar a relação do Brasil com o governo do presidente americano, Donald Trump, e os rumos da política latino-americana.

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