Conflito no Oriente Médio se amplia e chega ao Líbano; tensão pressiona a Europa

 

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Após os ataques realizados por Israel e Estados Unidos contra o Irã no fim de semana, a tensão no Oriente Médio voltou a subir nesta segunda-feira com uma nova ofensiva israelense contra o Líbano. O Exército israelense afirmou ter conduzido bombardeios simultâneos “com centenas de aviões” no território libanês, em resposta a disparos feitos pelo movimento islâmico pró-Irã Hezbollah contra o país.

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O Hezbollah, por sua vez, reivindicou o lançamento de uma "salva de mísseis" e "de drones" contra Israel, em reação à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei. Este foi o primeiro ataque do grupo a Israel desde o cessar-fogo feito em novembro de 2024. Segundo autoridades libanesas, o ataque israelense culminou em 31 mortes.

Explosões puderam ser ouvidas durante a noite em Beirute, o que gerou uma debandada de famílias em fuga da região sul do país. Em resposta, o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, anunciou nesta segunda-feira que as atividades militares do Hezbollah foram proibidas no território, o que limitava o grupo apenas a atividades políticas.

Salam afirmou que seu governo rejeita qualquer ação militar ou de segurança lançada a partir do território libanês que não esteja vinculada às instituições legítimas do Estado, e disse ter instruído as forças de segurança a impedir quaisquer ataques do tipo. Segundo o premier, o Líbano permanece comprometido com a declaração de cessação das hostilidades e com a retomada das negociações.

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Segundo o Crescente Vermelho, ao menos 555 pessoas foram mortas no primeiro ataque dos EUA com Israel. Em resposta à morte de Khamenei, Teerã realizou uma "chuva de mísseis" contra países próximos, em sua maioria, abrigos de bases americanas.

Em Doha, Dubai e Abu Dhabi, que também foram atingidos durante o conflito, moradores foram acordados por mais um dia de tremores e explosões nesta segunda-feira. No Kuwait, uma coluna de fumaça se formou acima da embaixada dos Estados Unidos. Segundo o Ministério da Defesa do país, aviões militares americanos foram interceptados e caíram no território kuwaitiano, mas não houve mortes dos tripulantes.

No domingo, novos ataques do Irã contra Israel, com explosões reportadas em Jerusalém. De acordo com os Guardiões da Revolução do Irã, um dos alvos deste ataque foi o escritório do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Um fotógrafo da Agência France-Press viu pelo menos dois drones serem derrubados perto do aeroporto de Erbil, no norte do Iraque.

A escalada dos conflitos mostra que a guerra está longe de chegar a um final. Para Israel, o posicionamento desde o primeiro dia é de que a operação no Irã durará "o tempo que for necessário". Já Donald Trump, em entrevista ao New York Times, afirmou que esta é uma operação que irá se prolongar por "quatro ou cinco semanas".

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Europa insatisfeita

A expansão das consequências da guerra chegou até mesmo à Europa. Segundo o presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, nesta segunda um drone iraniano caiu em uma base que o Reino Unido mantém na ilha do Mediterrâneo.


Em comunicado, França, Reino Unido e Alemanha disseram que podem tomar "medidas defensivas" para proteger seus interesses e os de seus aliados da região. Ainda segundo o comunicado, as medidas seriam suficientes para "destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones". Na manhã de segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, insistiu que a França está disposta a "participar" do conflito em defesa de seus aliados na região.

A morte de Khamenei dividiu o Irã entre celebrações e manifestações de protesto, evidenciando uma profunda polarização interna. Em depoimento à AFP, uma habitante de Teerã sob anonimato afirmou que o regime tomou o povo como refém e defendeu que a única via para a mudança seria uma intervenção estrangeira, dada a impossibilidade de reformas internas.

Essa insatisfação popular ocorre após a violenta repressão de janeiro contra um movimento multitudinário, que, segundo ONGs, resultou em milhares de mortes. No cenário global, o impacto é imediato: três dias de ataques geraram caos no transporte aéreo mundial e paralisaram o tráfego marítimo no estratégico Estreito de Ormuz. A guerra trouxe também reflexos nos preços do gás e do petróleo, que dispararam.