'Confiança é tudo no mercado financeiro', diz especialista sobre intervenção do BC em Banco Pleno

 

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O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. — medida estendida à Pleno DTVM S.A., integrante do mesmo conglomerado. A instituição é administrada pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em entrevista ao Jornal da CBN, o analista de crédito da Eleven Research, Otavio Faria, fala sobre a situação do banco e sequência de liquidações do Banco Central.

Segundo o especialista, a administração do Banco Pleno S.A. pelo ex-sócio de Vorcaro o deixava indiretamente envolvido com o caso do Master. Sem a possibilidade de captação de recursos e empréstimos, o Banco Pleno não consegue "fazer a roda girar" e, automaticamente, fica sem liquidez — ou seja, sem a capacidade de cumprir suas obrigações de curto prazo. A intervenção do Banco Central ocorre para não "contaminar o sistema".

"A confiança é tudo no mercado financeiro. Sem a captação (de recursos), o banco não consegue fazer os empréstimos e acaba sendo liquidado. O Banco Pleno não conseguiu se reinventar após a crise do Master, então era uma quebra já esperada para quem está no mercado", diz o especialista.

Anteriormente, a instituição operava como Voiter e também pertenceu ao grupo do Banco Master, do qual se desligou em julho de 2025, meses antes da intervenção.

"Os bancos Master e Pleno foram muito agressivos na tomada de crédito... Foram para os lados político e econômico e foram gananciosos", completou.

A liquidação foi motivada para o Banco Central pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, evidenciado pela piora nos indicadores de liquidez, além do descumprimento de normas que regem o funcionamento do sistema financeiro e de determinações da autoridade supervisora.

Mais liquidações?

Questionado sobre a possibilidade da liquidação de outras instituições que tenham algum tipo de relação com o conglomerado Master, Otavio acredita que a possibilidade é irrisória. De acordo com o especialista, todas as instituições mais próximas já foram liquidadas — caso do Pleno e da Reag.

"O que imaginamos é que bancos menores vão ter captação mais cara. Então, investidores vão presar mais pelo compliance (conjunto de procedimentos que garantem que instituições atuem conforme a lei). Vai deixar de ser algo burocrático e vai passar a ser muito importante para os investidores entrarem e aplicarem. Bancos grandes já fazem isso muito bem, mas os médios e os pequenos acabam deixando isso de lado hoje", completa.