Ícone de uma geração que ainda não viu a seleção campeã, Neymar terá 15 dias para entrar em outro ritmo
É curioso que a seleção brasileira registre em suas campanhas vitoriosas enredos polêmicos em torno de suas participações. Foi assim em 58, com a história da tal síndrome de vira-latas; em 62, com a contusão de Pelé; em 70, na troca de João Saldanha por Zagallo; em 94, com a rixa entre a imprensa paulista e carioca; e em 2002, com ausência de Romário na lista de Felipão. Sempre houve um pano de fundo.
E desta vez girou em torno da presença de Neymar em sua quarta Copa do Mundo. Pronto: o camisa 10 do Santos, ícone de uma geração que ainda não viu a seleção brasileira campeã do mundo, foi convocado por Carlo Ancelotti e agora terá cerca de 15 dias para entrar num outro ritmo. Neymar será preparado a partir da próxima quarta-feira e terá que mostrar no campo que tem vaga entre os titulares.
A convocação de Ancelotti está mais ou menos dentro das expectativas, confirmando 25 dos 26 nomes antecipados. A presença do goleiro Weverton, do Grêmio, no lugar de Bento, do Al Nassr, foi, digamos, a surpresa. No entanto, mais pela presença do campeão olímpico em 2016 do que pela ausência de Bento, que não soube aproveitar as chances recebidas com Ancelotti. O veterano de 38 anos sofreu gols em 29 jogos em 2026.
A presença de Neymar entre os 26 que irão à Copa não chega a ferir a narrativa do treinador. Ancelotti sempre deixou claro que a convocação do camisa 10 do Santos dependeria da continuidade dele nas partidas do clube. Neymar não joga pela seleção desde outubro de 2023 e precisava apenas mostrar que estava livre das contusões que atormentaram até a volta ao Santos em 2025. De lá para cá, lutava para cumprir as exigências do italiano.
Sem estar no melhor da fase, ele pode ajudar a seleção? Pode. Tem talento, experiência e carisma suficientes para fechar o grupo em torno do objetivo. A ideia de Ancelotti é tê-lo como um meia-atacante, no papel hoje executado por Matheus Cunha: o falso centroavante que se reveza com Vinicius Júnior, Raphinha e Luiz Henrique. Mas será preciso mostrar desenvoltura nos treinos.
Principalmente, porque além do próprio Cunha, a seleção tem Endrick, do Lyon, e Rayan, do Bournemouth, além de Igor Thiago, a sensação da Premier League pelo modesto Brentford, e Gabriel Martinelli, do Arsenal, jogador que tem a confiança do técnico. Agora é com Neymar.
