Conduta do STF no caso Master é o assunto mais comentado da semana pelos leitores

 

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O desgaste da imagem do Supremo Tribunal Federal diante do caso Master continua gerando ruídos diante da opinião pública, enquanto não avança a discussão de um código de conduta aos magistrados, sugestão do presidente da corte, ministro Edson Fachin. Este é o tema mais comentado pelos leitores do GLOBO na semana de 23 a 29 de janeiro. Nesse período, recebemos cerca de 300 mensagens do público com comentários sobre o noticiário, críticas e sugestões.

Desse conjunto, 88 textos foram selecionados para publicação no jornal impresso. A redação analisou os temas que mais apareceram nessas mensagens. Problemas de infraestrutura do Rio, a interminável crise da operadora Unimed Ferj e o assassinato do cão comunitário Orelha, em Santa Catarina, foram os outros assuntos mais mencionados nos textos publicados.

Cartas-30jan

Cartas-30jan

Leia alguns trechos das cartas dos leitores publicadas no jornal impresso ao longo da semana

Supremo Tribunal Federal vivencia desgaste de imagem diante do caso Master

Brenno Carvalho/Agência O Globo

"Quando o ministro Fachin antecipou a volta de suas férias, como atual presidente do STF, todos que acompanham o escandaloso e bilionário caso do Banco Master imaginavam que ele iria fundo nas confusas, estranhas e misteriosas intervenções do ministro Dias Toffolli. Embora sabendo o quão difícil seria tal tarefa, passou a pairar uma esperança de que as ações de Toffolli viessem, de alguma forma, a ser inibidas ou interrompidas. Não foi o que aconteceu. Como se estivesse se referindo ao golpe do 8 de Janeiro, Facchin veio com fala voltada para a “defesa da democracia e dos direitos democráticos”, quando tal expressão nada tem a ver com o maior escândalo financeiro já acontecido no Brasil. Em suma, lamentavelmente, Facchin correu da raia, e tudo ficou como dantes no quartel de Abrantes. Ainda resta uma tênue esperança de que o vergonhoso caso seja encaminhado para a primeira instância e que as investigações e posteriores julgamentos sejam feitos sem interferências e sem blindagens... Aguardemos!" Por Fernando Cardoso (Rio)

"Por se saber que o ser humano não é infalível, todas as constituições estabelecem um colegiado para os tribunais superiores dos seus países. A Constituição brasileira estabeleceu que a Corte superior teria 11 ministros para que o parecer de um fosse um entre 11. Como o volume de trabalho é grande, em algum momento foram permitidas decisões monocráticas para casos quase que corriqueiros, em que uma eventual visão errada não tivesse grandes implicações para o país. Porém, temos visto ministros tomando decisões monocráticas com grande repercussão para o país e até para o tribunal no qual trabalham, muitas vezes gerando grandes custos para a coletividade, custos esses geralmente insanáveis. Certamente o legislador não intencionava dar esse poder todo a um único homem, que, em vez de ser um membro de um colegiado, por vezes toma decisões que o presidente da República não poderia tomar sozinho. É necessário que os tribunais superiores tenham uma forma de autocontenção ou que o Legislativo a estabeleça." Por Ivan Kolouboff (Rio)

"Para onde o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli — com suas desconcertantes decisões monocráticas, com objetivo claro de criar favorecimentos específicos, com pouco conteúdo de Justiça imparcial — poderá levar a instituição da qual faz parte, a mais importante do Poder Judiciário? Certamente a um porto inseguro, do qual precisa desancorar imediatamente sob risco de vir a naufragar. A concretização de tal manobra de emergência deverá ser efetuada pelos próprios tripulantes da embarcação Corte Suprema, sob a forma de instalação de uma espécie de Conselho de Justificação, tão conhecido nas hostes militares, que pode apresentar como um de seus resultados até a perda de patente do elemento responsável por condutas incorretas. Em paralelo, visando evitar desdobramentos constrangedores como os que estão sendo observados em decorrência de canetadas monocráticas inconsistentes e desvairadas como as que vêm sendo emitidas por Toffoli e, eventualmente, por outros ministros, urge o estabelecimento de código de conduta para os togados mais notáveis da Justiça. Lamentavelmente, porém, a ideia parece não estar encontrando respaldo majoritário entre eles." Por Paulo Roberto Gotaç (Rio)

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Infraestrutura do Rio

"Há alguns anos já se percebe que a rede de eletricidade aérea é causadora de acidentes e de poluição visual. Na Avenida Atlântica, cartão-postal do Rio, isso vem se espalhando de maneira assustadora. Sobre o calçadão, inclusive no trecho central, a Light e as empresas que instalam sinais de velocidade e câmeras vêm deixando fios sobrando sobre as calçadas, de um poste a outro. Vai ficar assim?" Por Paulo Melo (Rio)

"Assisto diariamente à utilização de ônibus pelos bandidos para funcionarem como barricadas, que atravancam o trânsito por horas, prejudicando os pobres trabalhadores. Tenho um carro elétrico que ligo e desligo, aciono o ar-condicionado e tranco e destranco o veículo pela internet. Acredito que essa tecnologia não seja tão cara e poderia ser utilizada nos ônibus, com liberação imediata das ruas, desestímulo a esse procedimento e um enorme ganho para a sociedade." Por Wagner Lopes da Silva (Rio)

"Bicicletas elétricas e autopropelidos só arranham o caos do trânsito no Rio. Motoristas em geral não respeitam qualquer lei básica. O normal se tornou avançar sinais, ignorar contramão, dirigir sobre calçadas e, no caso de motos, até utilizar passagens exclusivas para pedestres como passarelas. Enquanto se criam leis para as bikes elétricas e autopropelidos, a falta de fiscalização das leis já existentes pode gerar atropelamentos sobre a calçada até por caminhões! O problema não é lei, mas quem fiscaliza a obediência a ela em todo o Rio. A impunidade se tornou o normal da Cidade Maravilhosa." Por Hugo Costa (Rio)

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Crise na Unimed Ferj

"Infelizmente estou “preso” ao plano de saúde Unimed Ferj. Tenho 69 anos e ultimamente, em todos os médicos cooperados que consulto e que ainda atendem, eles relatam as dificuldades e dívidas não pagas pela Unimed Ferj. É lamentável o descaso da “agência bajuladora”, digo agência reguladora com esse plano de saúde. Não adianta mudar a operadora dos recebimentos, ou seja, a Unimed Brasil assumir o atendimento, mas não o ressarcimento dos cooperados, mudar carteirinha etc... A Unimed Ferj está conseguindo sozinha se autofalir, desacreditar o sistema de saúde particular, na cadeia de prestadores de serviço cooperados, na inadimplência do setor a despeito dos altos valores das mensalidades, dos cancelamentos das consultas devido à inadimplência e à falta de perspectivas de recebimento. Qual a destinação dos recursos? Cadê a “agência bajuladora”? Só falta o plano de saúde justificar que as dificuldades por que passa atualmente são consequência de aplicação dos recursos no Banco Master." Por Luiz Fernando F. de Carvalho (Rio)

"Sou médica cooperada da Unimed Ferj há anos e, no momento, passo por um grande pesadelo: estou há dez meses sem receber dessa empresa. O pior é que estamos pagando para trabalhar, tendo que sacrificar nossos pacientes, que procuram atendimento pagando um plano Unimed tão caro, muitas vezes com risco de morte, por causa de uma má gestão que está liquidando colegas da mesma profissão. É inacreditável que isso aconteça por interesse próprio. Há colegas vendendo carro, imóvel, demitindo secretária, por uma dívida feita em nosso nome, com ameaça de, depois da morte do cooperado, ser colocada em espólio. Que absurdo!" Por Dalva da Silva Paes (Rio)

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Assassinato do cão Orelha

"É preciso punição exemplar a esses monstros, adolescentes. Punição para os pais também e a quem acoberta tal atitude. A lei tem de ser severa para coibir de vez maus-tratos com indefesos animais." Por Sandra Pereira (Maricá, RJ)

"Chocante, revoltante e inaceitável o que ocorreu com o pobre cão Orelha. Muitas manifestações devem e têm de ocorrer pelo país para exigir leis à altura de tais atos. Se Deus quiser, estarei em uma delas. As pessoas de bem estão cansadas de tanta maldade e não podem aceitar tal covardia, independentemente de idade ou classe social de quem as cometeu. A impunidade faz isso. Já passou da hora de se criarem leis mais severas para quem comete esse tipo de crueldade. E quantos outros já tiveram um triste fim que não foi noticiado? Parabéns a quem denuncia. Não dá mais para aceitar o que é errado como uma coisa normal. Cadê as leis? Vamos cobrar por Justiça. Chega de covardia e impunidade." Por Liane Gouvêa (Rio)

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