Concessionária de Congonhas nega que obras tenham causado pane na aviação em São Paulo

 

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A fumaça que causou a interrupção dos voos nos aeroportos de São Paulo aconteceu dentro do Aeroporto de Congonhas, mas não teve relação com as obras no local. A origem do episódio ainda será investigada pelas autoridades, segundo o diretor de relações institucionais e comunicação da Aena, a concessionária do aeroporto, Filipe Reis.

De acordo com o diretor, o incêndio foi próximo da torre de controle, mas as causas ainda são investigadas.

“A gente não sabe ainda a origem da fumaça, continuamos investigando. Mas não tem nenhuma relação com as obras, porque naquele espaço, especificamente, no momento em que tudo aconteceu, não havia nenhuma intervenção significativa acontecendo. Então, a gente está investigando para tentar entender e, naturalmente, evitar que situações como essa aconteçam de novo. O trabalho conjunto com o DECEA é investigativo, vai demorar um tempo, vamos ver o que consegue descobrir”, afirmou em entrevista ao CBN São Paulo.

A fumaça provocou a evacuação temporária do Controle de Aproximação do Aeroporto de Congonhas. O local administra o tráfego aéreo quando as aeronaves iniciam o processo de aproximação do terminal, mas ainda não estão próximas o suficiente para pousar - quando a gestão passa a ser feita pela torre de controle.

A evacuação interrompeu pousos e decolagens por uma hora e onze minutos. Às 8h58 desta quinta-feira, a operação foi parcial: decolagens foram suspensas para que os aviões que se aproximavam de Congonhas pudessem pousar. Às 9h30, os pousos também foram interrompidos e todo o espaço aéreo de São Paulo foi fechado.

O episódio gerou um efeito em cascata, interrompendo mais de 300 pousos e decolagens no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, além do Campo de Marte, na Zona Norte da capital, e em terminais no interior do estado, como Viracopos, em Campinas. Aeroportos do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília tiveram cancelamentos e atrasos como consequência.

Para evitar que os cancelamentos e atrasos prejudicassem os voos no dia seguinte, as operações no Aeroporto de Congonhas foram ampliadas de 23h para meia-noite. Na manhã seguinte, menos de dez voos ainda tinham atrasos ou cancelamentos.

90 ANOS

Congonhas é o segundo aeroporto mais movimentado do país e funciona como um hub para voos nacionais, principalmente ponte aérea para Rio ou Brasília. Em 2025, mais de 24 milhões de passageiros embarcaram ou desembarcaram no terminal.

Este ano, Congonhas completa 90 anos de funcionamento. A concessionária espanhola Aena assumiu a gestão do local em outubro de 2023 e promove obras para modernização e ampliação.

A previsão é de que em 2028 o aeroporto ganhe um novo terminal de passageiros, mais que dobrando a área total. Também haverá 19 novas pontes de embarque, mais pontos de estacionamento dos aviões, além de modernização dos banheiros e novas salas VIP.

Segundo o diretor de relações institucionais e comunicação da Aena, atualmente, 45% dos passageiros embarcam de forma remota. Ou seja, precisam embarcar em um ônibus que faz o trajeto entre o terminal e a aeronave. Esta é uma das principais reclamações dos passageiros atualmente. Por contrato, o índice deve diminuir para 30% nos próximos anos, graças às novas pontes de embarque e à aproximação do terminal de embarque remoto das aeronaves.