O Brasil deverá superar o recorde da safra passada de grãos no ciclo 2026/27, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (15/10) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse é o primeiro levantamento da temporada que está começando a ser semeada agora. Segundo o órgão, a estimativa de produção é de 367,1 milhões de toneladas, o que representaria um crescimento de 1,4% em relação à safra passada.
Segundo o gerente de acompanhamento de safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, o cálculo desse primeiro levantamento é feito com a ajuda de modelos estatísticos, uma vez que os dados ainda são muito incipientes. "Os dados apresentados aqui são baseados também em informações coletadas pelos nossos técnicos em campo em todo o país, com modelos estatísticos, auxiliados por análise meteorológica", explica.
A estimativa da Conab está sustentada no crescimento de 2,3% na área plantada, que pode alcançar 85,4 milhões de hectares. O principal destaque, mais uma vez, é a expectativa para a produção de soja, prevista em 181,6 milhões de toneladas. O volume é influenciado pelo crescimento de 1,4% na área a ser semeada, totalizando 49,3 milhões de hectares. Segundo a companhia, 15,6% da semeadura foi concluída no início de outubro.
"Temos no Centro-oeste e no Sul uma expectativa de estabilidade de área diante das condições de mercado e das incertezas climáticas relacionadas ao El Niño, enquanto temos crescimento em outras áreas, principalmente no Matopiba", afirma Vasconcellos.
A projeção para a produção nacional de milho é de 148 milhões de toneladas, alta de 2,4% em relação à safra passada - considerando-se as três safras. De acordo com o levantamento, a área plantada deve crescer 4,9% em relação ao último ciclo, com 23,7 milhões de hectares. A expectativa é de que a primeira safra alcance o maior crescimento de área, somando 4,5 milhões de hectares - uma alta superior a 10% em relação ao ciclo passado.
"É um produto que tem aumentado sua demanda principalmente com as usinas de etanol e também a produção de proteína animal", explicou Vasconcellos.
A produção de arroz, que já havia encolhido no ciclo 2025/26, deve ter nova queda. A Conab estima que sejam produzidas 10,8 milhões de toneladas, redução de 2,9% em relação à safra passada. A área total está prevista em 1,5 milhão de hectares, crescimento de 7,1% na área de sequeiro. No Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 70% da produção, a semeadura alcançou 27% até a primeira semana de outubro. Segundo Vasconcellos, a estimativa deve-se principalmente à manutenção de área e a uma menor produtividade em relação à última safra.
O volume de feijão deve permanecer estável, com uma safra prevista em 2,9 milhões de toneladas. A semeadura da primeira safra está em andamento e já alcançou 18,1% no país. Em São Paulo, 100% da área já foi semeada. "O consumo interno de feijão é estimado em 2,65 milhões de toneladas, então essa produção é perfeitamente compatível", avaliou Vasconcellos.
O levantamento também atualizou a estimativa para o trigo em 2026, cultura que ainda está com a colheita em andamento. Segundo a Conab, o país deve produzir 5,7 milhões de toneladas neste ano, uma redução de 27,2% em relação ao ciclo passado. O desempenho reflete a queda na área plantada e na produtividade na região Sul, onde está concentrado o maior volume de produção
Globo Rural