Comunidade internacional reage com cautela ao cessar-fogo prorrogado por Trump
As tensões entre Estados Unidos e Irã entraram em uma nova fase desde terça (21), quando o presidente americano Donald Trump decidiu prorrogar por tempo indeterminado o cessar‑fogo entre os dois países, poucas horas antes do prazo final estabelecido por ele próprio.
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Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump justificou a decisão citando divisões no topo do poder iraniano e afirmou que a trégua foi estendida a pedido do Paquistão, para dar tempo a Teerã de apresentar uma proposta de negociação.
A comunidade internacional reagiu com cautela. O secretário‑geral da ONU, António Guterres, classificou a prorrogação como um “passo importante para a desescalada” e para abrir espaço à diplomacia. Já o primeiro‑ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, agradeceu publicamente a Trump e destacou o papel de mediador do país.
Do lado iraniano, ceticismo. Até o momento não houve reação oficial do governo, mas o embaixador do Irã na ONU afirmou que as negociações só poderão ser retomadas se os Estados Unidos suspenderem o bloqueio naval aos portos iranianos. Teerã considera essa medida uma violação prática do cessar‑fogo e chega a classificá‑la como um ato de guerra.
Irã ataca navios porta-contêineres
Nesta quarta-feira (22), o Irã atirou contra ao menos três navios porta‑contêineres ao largo de Omã. Um deles, de bandeira liberiana, teria autorização para atravessar o Estreito de Ormuz. Segundo a agência britânica de segurança marítima, UKMTO, uma embarcação foi interceptada por uma lancha da Guarda Revolucionária iraniana. Não houve feridos, e a tripulação está em segurança.
Diante do risco crescente à navegação, o Reino Unido promove entre esta quarta (22) e quinta-feira (23), uma reunião com militares de cerca de 30 países para discutir a criação de uma missão naval liderada por Reino Unido e França com o objetivo de proteger o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa do petróleo mundial.
Segundo o Ministério britânico da Defesa, a conferência permitirá “avançar no planejamento detalhado” da reabertura do estreito assim que as condições permitirem, após os “avanços” alcançados durante as negociações realizadas em Paris na semana passada.
Londres e Paris insistiram que essa força conjunta terá caráter exclusivamente defensivo e só será mobilizada após o estabelecimento de uma paz duradoura na região.
Os Estados Unidos e o Irã não participam das negociações em Londres nesses dois dias.
